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 26/10/2026   11:40   

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Além do processo, acompanhamento psicossocial no Jecrim abre caminhos para novas escolhas

Duas mulheres estão sentadas à mesa em uma sala iluminada. À esquerda, uma mulher de óculos e blusa azul. À direita, uma mulher negra de óculos e blusa estampada gesticula. Ao fundo, um quadro com a pintura de um cavalo e uma mulher.Quando uma pessoa chega ao Núcleo Psicossocial (NUPS) do Juizado Especial Criminal de Cuiabá, o olhar da equipe não se restringe ao fato que a levou até a Justiça. A proposta é compreender também os aspectos pessoais, familiares e sociais relacionados àquela situação e, a partir deles, construir possibilidades de acompanhamento.

Esta é a terceira e última matéria da série “Justiça que acolhe”, que apresentou o funcionamento do Juizado Especial Criminal (Jecrim), a busca pela solução dos conflitos e, agora, mostra como o acompanhamento psicossocial pode alcançar questões que vão além do processo.

É nesse trabalho que psicólogos e assistentes sociais acolhem, entrevistam e orientam as pessoas encaminhadas ao Núcleo. Quando necessário, também fazem a articulação com a rede pública de atendimento e acompanham casos relacionados a conflitos e ao porte de drogas para consumo pessoal.

“O Núcleo Psicossocial tem um trabalho de auxiliar tecnicamente os juízes na solução ou na decisão do procedimento. Fazemos o acolhimento das partes, entrevistas, encaminhamos para a rede pública quando necessário e fazemos o acompanhamento”, explica a assistente social do NUPS, Gilda Rodrigues Arruda.

Para quem chega ao Núcleo em razão do uso de drogas, o trabalho busca ampliar o olhar para além da ocorrência que deu origem ao procedimento.

“O uso de droga é apenas a ponta do iceberg no contexto que essas pessoas trazem em suas histórias. Nosso principal objetivo é esse cuidado para que a pessoa possa olhar para si como ser humano”, explica Ana Cláudia Amorim Lima, psicóloga do NUPS.

Informação para ampliar escolhas

Uma das iniciativas é o Grupo de Acompanhamento, Informação e Educação (GAIE), realizado mensalmente, de forma on-line, com pessoas acompanhadas pelo Núcleo.

Mulher sorridente de óculos de armação clara e cabelos claros com mechas veste blusa azul texturizada de mangas curtas bufantes. Está sentada à mesa com as mãos apoiadas.Os encontros abordam não apenas questões relacionadas ao uso de drogas, mas diferentes aspectos da saúde e do autocuidado, promovendo um olhar para si. Profissionais convidados participam das atividades e tratam de temas diversos, como os efeitos de drogas lícitas e ilícitas, saúde bucal, autoestima e motivação.

“Buscamos abrir o horizonte para novas possibilidades e escolhas, para que os participantes se olhem, se vejam como seres humanos. Eles continuam sendo acompanhados pela nossa equipe, que procura estimular a aplicação daquilo que foi trabalhado nos encontros”, afirma Ana Cláudia.

Arte como instrumento de reflexão

Outra iniciativa é o projeto Arte e Vida, desenvolvido em parceria com o Instituto Ação de Desenvolvimento Sustentável da Pessoa e Inclusão, o Proaspi, e voltado a pessoas encaminhadas ao NUPS em razão do porte de drogas para consumo pessoal.

Mulher de cabelos cacheados escuros e óculos fala ao microfone com a marca "TJMT TV". Veste blusa estampada em tons de azul e laranja. Ao fundo, quadro emoldurado.Em sua quinta edição, o projeto utiliza recursos artísticos, como o teatro, para trabalhar conceitos como autoestima, autorrespeito, convivência e respeito ao próximo. Os encontros são semanais e, nesta edição, cerca de 28 a 30 participantes têm mantido presença frequente nas atividades. 

“Temos visto um envolvimento espontâneo. Eles estão participativos e se identificando com o trabalho do instrutor e da equipe psicossocial. Isso pode ser percebido pela presença e pelo envolvimento nas atividades”, relata a assistente social, Gilda.

A edição começou em setembro e segue até 10 de dezembro. Ao final dos três meses de atividades, os próprios participantes apresentarão uma peça criada durante os encontros.

“A gente espera que cada um, à sua maneira, consiga refletir e administrar a vida sem o uso de qualquer entorpecente. Essa é a proposta”, conclui a assistente social.

Natália Araújo / Foto: Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação Social

imprensa@tjmt.jus.br

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