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 22/10/2026   17:05   

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Desembargadora Gabriela Knaul reforça importância da preceptoria na formação integral do magistrado

O conhecimento jurídico é requisito indispensável para ingressar na magistratura, mas está longe de ser suficiente para formar um juiz preparado para os desafios da jurisdição contemporânea. Independência, equilíbrio emocional, sensibilidade humana, capacidade de gestão e responsabilidade institucional são competências que se desenvolvem ao longo da carreira e encontram, na preceptoria, um espaço privilegiado de reflexão e aprendizagem.  

Essa foi uma das principais mensagens compartilhadas pela desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque durante visita realizada, na quarta-feira (21 de outubro), à Comarca de Porto Alegre do Norte, onde acompanha, como preceptora, os juízes substitutos Ana Carolina Pelicioni da Silva Volkers, Lessandro Réus Barbosa e Nelson Luiz Pereira Júnior.  

Ao longo da visita, a desembargadora percorreu as instalações do fórum, conversou com magistrados, servidores, estagiários e colaboradores terceirizados e conduziu momentos de diálogo voltados tanto à atividade jurisdicional quanto aos desafios da gestão e do desenvolvimento profissional na magistratura.  

Para Gabriela Knaul, a identidade profissional do juiz não nasce pronta nem é construída exclusivamente nos bancos acadêmicos. Segundo ela, aspectos fundamentais da magistratura são desenvolvidos no contato direto com a realidade vivenciada diariamente pelos magistrados. “A identidade profissional de um magistrado é construída no exercício cotidiano, no exercício diário da jurisdição. Independência judicial, prudência, capacidade de escuta, equilíbrio emocional e consciência da responsabilidade institucional não se desenvolvem apenas pelo estudo do Direito.”  

Na avaliação da desembargadora, a principal riqueza da preceptoria está justamente na possibilidade de compartilhamento de experiências entre magistrados em diferentes momentos da carreira. Sem interferir na autonomia judicial, o programa cria um ambiente de diálogo que permite ao magistrado em início de carreira refletir sobre situações concretas, dilemas profissionais e responsabilidades inerentes à função de julgar. “A preceptoria pretende contribuir para que cada juiz desenvolva, com autonomia e responsabilidade, sua própria identidade na magistratura”, destaca. 

Formação que vai além do processo 

A experiência vivenciada pelos magistrados acompanhados pela desembargadora em Porto Alegre do Norte confirma, na prática, a amplitude desse processo formativo. Responsável pela 2ª Vara da comarca, com competências cível, previdenciária por delegação e na área da infância, a juíza substituta Ana Carolina Volkers afirma que um dos aprendizados mais relevantes recebidos durante a preceptoria foi compreender que a magistratura exige uma combinação permanente entre conhecimento técnico e habilidades humanas.  

Segundo a magistrada, a convivência com a preceptora permitiu enxergar de forma mais clara a necessidade de desenvolver competências relacionadas à gestão de pessoas, organização do trabalho e escuta qualificada. Ela relata que os desafios cotidianos da condução de uma unidade judicial frequentemente extrapolam os conteúdos tradicionalmente abordados na formação jurídica.  

Ana Carolina destaca que a experiência foi fundamental para auxiliá-la nas dificuldades práticas da gestão da vara, especialmente por meio do compartilhamento de soluções e estratégias construídas a partir da experiência profissional da desembargadora. “O exercício da magistratura exige muito mais do que o conhecimento jurídico e o domínio da técnica processual. Exige sensibilidade, capacidade de gestão, escuta qualificada e compreensão das realidades humanas que chegam diariamente ao Judiciário.”  

Para ela, a maior contribuição da preceptoria foi demonstrar que a função judicial exige a integração entre conhecimento técnico, responsabilidade institucional e humanidade, sem perder de vista que cada processo traz consigo histórias de vida e demandas concretas por justiça. 

Equilíbrio entre produtividade e qualidade  

Em um contexto cada vez mais marcado por metas e indicadores de desempenho, a desembargadora Gabriela Knaul defende que a produtividade não pode ser analisada dissociada da qualidade das decisões. “A produtividade é importante diante da quantidade de processos com que o juiz se defronta diariamente, mas não pode ser confundida com a qualidade da prestação jurisdicional.” 

Segundo ela, o grande desafio da magistratura hoje é conciliar eficiência com sensibilidade humana, assegurando que a necessária celeridade processual não comprometa a atenção às especificidades de cada caso. Ela entende que a preceptoria desempenha papel importante nessa construção ao estimular reflexões sobre gestão de unidades, organização do trabalho, qualidade das decisões e compromisso ético. 

Para Gabriela, eficiência e sensibilidade não são valores conflitantes, mas complementares e indispensáveis para a entrega de uma Justiça efetivamente qualificada. 

A dimensão humana da jurisdição 

O juiz substituto Nelson Pereira Júnior afirma que a experiência com a desembargadora reforçou aspectos essenciais da atuação judicial que vão muito além da elaboração de decisões. Na dimensão ética, ele destaca o incentivo permanente à adoção de uma postura profissional compatível com a relevância do cargo e à utilização de uma linguagem técnica que seja, ao mesmo tempo, acessível aos jurisdicionados. 

Já no campo do equilíbrio emocional, ele observa que o compartilhamento das experiências acumuladas pela desembargadora ao longo de sua trajetória em diferentes comarcas e funções permitiu compreender melhor os desafios da carreira e a importância da preservação da harmonia entre vida profissional e pessoal. O magistrado também ressalta o olhar humanizado transmitido pela preceptora. “Ela evidenciou que a prestação jurisdicional não se encerra na decisão técnica, mas na sua efetividade prática e no olhar atento à singularidade e dignidade de cada postulante.”  

Outro aspecto destacado por Nelson foi a compreensão da responsabilidade institucional inerente ao cargo. Segundo ele, a experiência da preceptoria reforçou a percepção de que o trabalho do magistrado ultrapassa os limites do gabinete e demanda diálogo, cooperação institucional e aproximação com a comunidade local. 

Escuta, diálogo e aproximação institucional 

Para o juiz substituto Lessandro Réus Barbosa, a visita realizada à comarca exemplificou, de maneira concreta, a proposta da preceptoria. Ele relata que a desembargadora percorreu pessoalmente os diversos setores do fórum, conheceu servidores, estagiários e colaboradores e buscou compreender a realidade da unidade antes mesmo das reuniões formais de trabalho.  

Posteriormente, durante encontro com os magistrados, Gabriela Knaul compartilhou observações sobre a estrutura da comarca, apresentou sugestões de aperfeiçoamento e promoveu discussões sobre os desafios da atividade jurisdicional. Um dos momentos mais marcantes, segundo Lessandro, ocorreu durante reunião realizada no Salão do Júri com todos os servidores da unidade. Na ocasião, a desembargadora promoveu uma escuta ativa dos profissionais, ouvindo suas percepções sobre o funcionamento do Judiciário, os desafios enfrentados e as oportunidades de melhoria na prestação dos serviços. 

O magistrado relata que a iniciativa estimulou ampla participação dos servidores e fortaleceu o sentimento de pertencimento institucional. “A desembargadora Gabriela tem um perfil muito humanista, ela sabe ouvir, sabe orientar, tem muita experiência e, com certeza, nos agregou muito nessa visita.” 

Na avaliação dele, o contato direto entre a administração do Tribunal e os magistrados e servidores do interior fortalece os laços institucionais e valoriza quem atua diariamente na prestação jurisdicional. 

Construir a própria identidade 

Ao falar sobre o papel do preceptor, Gabriela Knaul faz questão de ressaltar que a proposta do programa não é reproduzir modelos prontos nem formar magistrados à imagem de seus orientadores. Para ela, o ingresso na carreira já pressupõe sólido domínio técnico. O diferencial está na capacidade de desenvolver atributos como maturidade, liderança, independência, sensibilidade social e consciência dos limites do poder de julgar. “O magistrado preparado tem a compreensão de que sua atuação não se resume à solução jurídica dos processos.”  

Segundo a desembargadora, o exercício da jurisdição envolve também a gestão de conflitos, a condução de equipes, a comunicação institucional e a preservação da confiança pública no sistema de Justiça.  

Outras informações sobre o programa de preceptoria podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Lígia Saito

Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT

imprensa@tjmt.jus.br