Desembargadora Gabriela Knaul reforça importância da preceptoria na formação integral do magistrado
O conhecimento jurídico é requisito indispensável para
ingressar na magistratura, mas está longe de ser suficiente para formar um juiz
preparado para os desafios da jurisdição contemporânea. Independência,
equilíbrio emocional, sensibilidade humana, capacidade de gestão e
responsabilidade institucional são competências que se desenvolvem ao longo da
carreira e encontram, na preceptoria, um espaço privilegiado de reflexão e
aprendizagem.
Essa foi uma das principais mensagens compartilhadas pela
desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque durante visita realizada, na
quarta-feira (21 de outubro), à Comarca de Porto Alegre do Norte, onde
acompanha, como preceptora, os juízes substitutos Ana Carolina Pelicioni da
Silva Volkers, Lessandro Réus Barbosa e Nelson Luiz Pereira Júnior.
Ao longo da visita, a desembargadora percorreu as
instalações do fórum, conversou com magistrados, servidores, estagiários e
colaboradores terceirizados e conduziu momentos de diálogo voltados tanto à
atividade jurisdicional quanto aos desafios da gestão e do desenvolvimento
profissional na magistratura.
Para Gabriela Knaul, a identidade profissional do juiz não
nasce pronta nem é construída exclusivamente nos bancos acadêmicos. Segundo
ela, aspectos fundamentais da magistratura são desenvolvidos no contato direto
com a realidade vivenciada diariamente pelos magistrados. “A identidade
profissional de um magistrado é construída no exercício cotidiano, no exercício
diário da jurisdição. Independência judicial, prudência, capacidade de escuta,
equilíbrio emocional e consciência da responsabilidade institucional não se
desenvolvem apenas pelo estudo do Direito.”
Formação que vai além do processo
A experiência vivenciada pelos magistrados acompanhados pela
desembargadora em Porto Alegre do Norte confirma, na prática, a amplitude desse
processo formativo. Responsável pela 2ª Vara da comarca, com competências
cível, previdenciária por delegação e na área da infância, a juíza substituta
Ana Carolina Volkers afirma que um dos aprendizados mais relevantes recebidos
durante a preceptoria foi compreender que a magistratura exige uma combinação
permanente entre conhecimento técnico e habilidades humanas.
Segundo a magistrada, a convivência com a preceptora
permitiu enxergar de forma mais clara a necessidade de desenvolver competências
relacionadas à gestão de pessoas, organização do trabalho e escuta qualificada.
Ela relata que os desafios cotidianos da condução de uma unidade judicial
frequentemente extrapolam os conteúdos tradicionalmente abordados na formação
jurídica.
Ana Carolina destaca que a experiência foi fundamental para
auxiliá-la nas dificuldades práticas da gestão da vara, especialmente por meio
do compartilhamento de soluções e estratégias construídas a partir da
experiência profissional da desembargadora. “O exercício da magistratura exige
muito mais do que o conhecimento jurídico e o domínio da técnica processual.
Exige sensibilidade, capacidade de gestão, escuta qualificada e compreensão das
realidades humanas que chegam diariamente ao Judiciário.”
Para ela, a maior contribuição da preceptoria foi demonstrar que a função judicial exige a integração entre conhecimento técnico, responsabilidade institucional e humanidade, sem perder de vista que cada processo traz consigo histórias de vida e demandas concretas por justiça.
Equilíbrio entre produtividade e qualidade
Em um contexto cada vez mais marcado por metas e indicadores
de desempenho, a desembargadora Gabriela Knaul defende que a produtividade não
pode ser analisada dissociada da qualidade das decisões. “A produtividade é
importante diante da quantidade de processos com que o juiz se defronta
diariamente, mas não pode ser confundida com a qualidade da prestação
jurisdicional.”
Segundo ela, o grande desafio da magistratura hoje é
conciliar eficiência com sensibilidade humana, assegurando que a necessária
celeridade processual não comprometa a atenção às especificidades de cada caso.
Ela entende que a preceptoria desempenha papel importante nessa construção ao
estimular reflexões sobre gestão de unidades, organização do trabalho,
qualidade das decisões e compromisso ético.
Para Gabriela, eficiência e sensibilidade não são valores conflitantes, mas complementares e indispensáveis para a entrega de uma Justiça efetivamente qualificada.
A dimensão humana da jurisdição
O juiz substituto Nelson Pereira Júnior afirma que a
experiência com a desembargadora reforçou aspectos essenciais da atuação
judicial que vão muito além da elaboração de decisões. Na dimensão ética, ele
destaca o incentivo permanente à adoção de uma postura profissional compatível
com a relevância do cargo e à utilização de uma linguagem técnica que seja, ao
mesmo tempo, acessível aos jurisdicionados.
Já no campo do equilíbrio emocional, ele observa que o
compartilhamento das experiências acumuladas pela desembargadora ao longo de
sua trajetória em diferentes comarcas e funções permitiu compreender melhor os
desafios da carreira e a importância da preservação da harmonia entre vida
profissional e pessoal. O magistrado também ressalta o olhar humanizado
transmitido pela preceptora. “Ela evidenciou que a prestação jurisdicional não
se encerra na decisão técnica, mas na sua efetividade prática e no olhar atento
à singularidade e dignidade de cada postulante.”
Escuta, diálogo e aproximação institucional
Para o juiz substituto Lessandro Réus Barbosa, a visita
realizada à comarca exemplificou, de maneira concreta, a proposta da
preceptoria. Ele relata que a desembargadora percorreu pessoalmente os diversos
setores do fórum, conheceu servidores, estagiários e colaboradores e buscou
compreender a realidade da unidade antes mesmo das reuniões formais de
trabalho.
Posteriormente, durante encontro com os magistrados,
Gabriela Knaul compartilhou observações sobre a estrutura da comarca,
apresentou sugestões de aperfeiçoamento e promoveu discussões sobre os desafios
da atividade jurisdicional. Um dos momentos mais marcantes, segundo Lessandro,
ocorreu durante reunião realizada no Salão do Júri com todos os servidores da
unidade. Na ocasião, a desembargadora promoveu uma escuta ativa dos
profissionais, ouvindo suas percepções sobre o funcionamento do Judiciário, os
desafios enfrentados e as oportunidades de melhoria na prestação dos
serviços.
O magistrado relata que a iniciativa estimulou ampla
participação dos servidores e fortaleceu o sentimento de pertencimento
institucional. “A desembargadora Gabriela tem um perfil muito humanista, ela
sabe ouvir, sabe orientar, tem muita experiência e, com certeza, nos agregou
muito nessa visita.”
Na avaliação dele, o contato direto entre a administração do Tribunal e os magistrados e servidores do interior fortalece os laços institucionais e valoriza quem atua diariamente na prestação jurisdicional.
Construir a própria identidade
Ao falar sobre o papel do preceptor, Gabriela Knaul faz
questão de ressaltar que a proposta do programa não é reproduzir modelos
prontos nem formar magistrados à imagem de seus orientadores. Para ela, o
ingresso na carreira já pressupõe sólido domínio técnico. O diferencial está na
capacidade de desenvolver atributos como maturidade, liderança, independência,
sensibilidade social e consciência dos limites do poder de julgar. “O
magistrado preparado tem a compreensão de que sua atuação não se resume à solução
jurídica dos processos.”
Segundo a desembargadora, o exercício da jurisdição envolve
também a gestão de conflitos, a condução de equipes, a comunicação
institucional e a preservação da confiança pública no sistema de
Justiça.
Outras informações sobre o programa de preceptoria podem ser
obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 /
99943-1576.
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
imprensa@tjmt.jus.br











