Educação ambiental mobiliza estudantes em Chapada dos Guimarães em ação do Cesima
Reciclagem, preservação ambiental, sustentabilidade e
cidadania foram temas que marcaram a manhã desta sexta-feira (23 de outubro)
dos estudantes da Escola Municipal Thermozina de Siqueira, no bairro Aldeia
Velha, em Chapada dos Guimarães, durante mais uma etapa do projeto “Meio
Ambiente e Sustentabilidade: Construindo um Futuro Melhor”. O evento foi
promovido pelo Centro de Estudos Integrados em Meio Ambiente (Cesima), com
apoio da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e
instituições parceiras.
A iniciativa reuniu crianças, educadores e representantes de
diversas entidades em uma programação voltada à conscientização socioambiental
por meio de atividades lúdicas, palestras e ações práticas. Os alunos
aprenderam sobre separação correta dos resíduos, reciclagem, preservação dos
recursos naturais, responsabilidade social e a importância de atitudes
cotidianas para a construção de um futuro mais sustentável.
A abertura foi conduzida pela coordenadora do Cesima, juíza
Henriqueta Lima, que destacou a importância de levar o projeto a escolas que
estão fora dos grandes centros e que já desenvolvem boas práticas relacionadas
ao meio ambiente. Segundo a magistrada, esta foi a quarta unidade escolar
visitada pelo projeto este ano. A escolha da Escola Municipal Thermozina de
Siqueira levou em consideração tanto a localização quanto o trabalho já
realizado pela comunidade escolar.
“Nós percebemos que a escola já desenvolve ações
importantes, como a horta escolar, em que os alunos colocam literalmente a mão
na terra e vivenciam a educação ambiental na prática. Isso demonstra um
trabalho que merece ser fortalecido e valorizado”, afirmou. Henriqueta
ressaltou ainda que um dos diferenciais do Cesima é o modelo de atuação baseado
na cooperação entre instituições públicas e privadas. “O Cesima é feito de
cooperação. Embora o Poder Judiciário e a Escola da Magistratura liderem a
iniciativa, ela só é possível graças aos parceiros. A essência do projeto é
justamente unir esforços em prol da sustentabilidade e da
sociedade.”
Para a coordenadora, a educação socioambiental vai muito
além das questões ligadas à natureza. O objetivo é estimular a formação de
cidadãos conscientes e comprometidos com o bem-estar coletivo. “Quando ouvimos
as crianças falando sobre reciclagem, reutilização e descarte correto dos
resíduos, percebemos que já estamos colhendo resultados. É um investimento para
o futuro e acreditamos muito no poder transformador da educação
socioambiental”, completou.
A diretora da escola, Ivana Moreira da Silva, destacou que a
educação ambiental já faz parte do cotidiano da unidade escolar por meio de
projetos desenvolvidos com a participação ativa dos estudantes. Segundo ela, a
escola mantém ações voltadas à reciclagem, incentivando os alunos a arrecadarem
materiais recicláveis e compreenderem a importância do descarte correto dos
resíduos. “Eles participam com muita responsabilidade, ajudam na arrecadação
dos materiais recicláveis e entendem a importância desse cuidado. É um trabalho
que consideramos fundamental, porque as crianças precisam ter esse conhecimento
e esse engajamento com a reciclagem e com a preservação ambiental”, afirmou.
A diretora também destacou a horta escolar e as áreas verdes
da unidade como importantes ferramentas de aprendizagem. "Temos uma horta
dentro da escola, onde os alunos se sentem parte de todo o processo e
protagonistas desse trabalho. Também procuramos cuidar dos espaços verdes e das
árvores, mostrando a importância da preservação na prática. Eles realmente
colocam a mão na massa e aprendem vivenciando essas experiências",
completou.
Entre os alunos, o aprendizado também ficou evidente.
Estudante do 3º ano, Frederico Almeida contou que a atividade trouxe
importantes reflexões sobre a preservação ambiental. “Eu aprendi que não pode
jogar lixo no chão, que temos que cuidar da natureza e também aprendi muita
coisa sobre os bois. Gostei de falar sobre a natureza e aprender que, se a
gente não cuidar dela, ela pode acabar sendo destruída. Aqui também cuidamos da
horta e regamos as plantas nas quintas-feiras”, relatou o estudante.
Reciclagem como ferramenta de inclusão social
Durante a programação, a Defensoria Pública de Mato Grosso
também se fez presente. A defensora pública Kelly Cristina Veras Otacio
Monteiro ressaltou que a conscientização precisa começar ainda na infância e
que educação ambiental se aprende na prática.
“A Defensoria Pública louva esse projeto encampado pelo
Cesima junto às escolas, porque a educação ambiental tem que começar no berço.
E a gente vem, junto com o Tribunal de Justiça, às escolas para passar essa
experiência de como trabalhar, separar e destinar de forma ambientalmente
adequada seu material reciclável. Os catadores sempre dizem que o que é lixo
para nós é luxo para eles. E as crianças estão agora aprendendo isso, que, com
a educação ambiental, com a separação dos materiais recicláveis dentro da sua
casa, elas propiciam dignidade e renda adequada a essas pessoas que movimentam
o comércio da reciclagem e precisam, sim, sempre estarem sendo incluídas de
forma socioeconômica no comércio e na sociedade.”
Preservar para garantir o futuro
A procuradora-geral do município, Rosane Costa Itacaramby,
destacou a importância de levar a discussão ambiental para dentro das escolas,
especialmente em um município com forte vocação turística e grande riqueza
natural como Chapada dos Guimarães. Segundo ela, o contato das crianças com
temas como reciclagem, descarte correto de resíduos e preservação ambiental
contribui para a formação de cidadãos mais conscientes.
“É muito importante promover esse debate junto aos
estudantes, porque é por meio das crianças que começamos a desenvolver o
respeito ao meio ambiente. Chapada dos Guimarães possui um patrimônio natural
que precisa ser preservado. Ao mostrar a importância da reciclagem, da
destinação correta dos resíduos e do trabalho realizado pela cooperativa
parceira do município, reforçamos a conscientização ambiental e incentivamos
práticas que fazem diferença para toda a comunidade”, afirmou.
Representando a Associação dos Criadores de Mato Grosso
(Acrimat), o assessor jurídico Armando Cândia apresentou aos estudantes a
atividade educativa “Será que a vaca quer acabar com o planeta?”, abordando a
relação entre pecuária e sustentabilidade. Segundo ele, ações como a promovida
pelo Cesima ajudam a esclarecer dúvidas e aproximar as crianças das discussões
sobre produção sustentável.
Armando ressaltou que o produtor rural depende diretamente
do meio ambiente para produzir. “Preservar os recursos naturais não é apenas
uma necessidade ambiental, mas também uma condição para a manutenção da
atividade produtiva. É importante mostrar às novas gerações que produção e
preservação podem caminhar juntas”, ressaltou.
Além das palestras, os estudantes participaram de diversas
atividades educativas desenvolvidas pelos parceiros do projeto. O Núcleo de
Sustentabilidade do Tribunal de Justiça de Mato Grosso promoveu orientações
sobre a separação correta dos resíduos nas escolas. O Juizado Volante Ambiental
(Juvam) apresentou o Projeto Rebojando, utilizando jogos educativos para
estimular a aprendizagem de forma lúdica. A Comissão Permanente de Meio
Ambiente e Sustentabilidade do Tribunal de Contas do Estado levou informações
sobre resíduos sólidos e distribuiu materiais educativos aos participantes. O
evento também contou com a presença do juiz Renato José de Almeida Costa Filho,
que atua na Comarca de Chapada dos Guimarães.
A iniciativa encerrou mais um ciclo de visitas do Cesima em
2026, consolidando o projeto como um importante instrumento de educação
socioambiental nas escolas mato-grossenses.
Lígia Saito / Foto: Josi Dias
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
imprensa@tjmt.jus.br
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