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 15/10/2026   15:55   

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Letramento Racial: Palavras também educam e comunicação pode ajudar a combater o racismo

Mulher negra de perfil, com turbante amarelo e punho erguido, simboliza resistência. Ao fundo, mapa verde de Mato Grosso e balança da Justiça. À direita, o texto “Comitê de Promoção da Equidade Racial do TJMT”.Uma palavra, uma fotografia, um título ou a escolha de uma fonte ajudam a construir a maneira como pessoas e acontecimentos são percebidos. Por isso, identificar os sentidos presentes na linguagem e nas representações também faz parte do letramento racial.

Uma notícia pode reproduzir estereótipos mesmo sem essa intenção. Isso ocorre, por exemplo, quando pessoas negras aparecem predominantemente em pautas sobre violência, pobreza ou racismo, enquanto sua atuação como especialistas, pesquisadoras, gestoras e profissionais de diferentes áreas recebe menos visibilidade.

A comunicação não apenas transmite informações. Ela também influencia a forma como a sociedade enxerga diferentes grupos e instituições.

Mais do que escolher palavras

A linguagem carrega sentidos construídos historicamente. Algumas expressões associam referências à população negra ou à cor preta a características negativas. Repetidas sem reflexão, podem perpetuar estereótipos.

Compreender esse processo é parte do letramento racial. O conhecimento histórico ajuda a perceber que as desigualdades atuais não surgiram por acaso, nem podem ser explicadas apenas por escolhas individuais.

Retrato da desembargadora Juanita, uma mulher de cabelos castanhos sorrindo com blusa de renda azul claro e um bóton fixado na roupa.No ambiente institucional, essa compreensão exige atenção aos chamados vieses inconscientes, associações e julgamentos construídos a partir de experiências sociais e culturais que podem influenciar a maneira como alguém é percebido, ouvido, tratado ou avaliado, mesmo sem intenção consciente de discriminar.

“O letramento racial convida a uma mudança de perspectiva. Em vez de observar apenas a intenção de uma conduta, é preciso considerar também seus efeitos e o contexto histórico e social em que ela ocorre”, resume a desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, presidente do Comitê de Promoção da Equidade Racial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

A imagem também comunica

Representatividade não significa apenas incluir mais pessoas negras nas fotografias, mas também observar os lugares que elas ocupam nas narrativas. Uma comunicação comprometida com a equidade racial pode apresentá-las como protagonistas de diferentes histórias e áreas de atuação, sem restringi-las a situações de vulnerabilidade ou a pautas especificamente raciais.

A comunicação pública também tem responsabilidade nessa construção, pois informa sobre direitos, serviços e políticas e contribui para a percepção da sociedade sobre as instituições. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já promoveu formação específica para profissionais de comunicação do Judiciário sobre comunicação social e diversidade étnico-racial.

Do conhecimento à prática

No Judiciário de Mato Grosso, o tema vem sendo trabalhado pelo Comitê de Promoção da Equidade Racial como parte de um processo contínuo de formação. Em junho, servidores, estagiários e colaboradores da Coordenadoria de Comunicação participaram de uma roda de conversa sobre letramento racial, com reflexões sobre terminologias, imagens, enquadramentos e mensagens.

Para o coordenador de Comunicação do TJMT, Álvaro Marinho, a atividade contribui para uma produção de conteúdo mais consciente e atenta aos efeitos das escolhas editoriais.

“A comunicação tem um papel importante na forma como a sociedade percebe pessoas, grupos e instituições. Por isso, precisamos ter atenção não apenas às palavras que utilizamos, mas também às imagens que escolhemos, às fontes que ouvimos e às histórias que contamos. O letramento racial nos ajuda a reconhecer estereótipos que muitas vezes passam despercebidos e a produzir conteúdos mais conscientes, inclusivos e comprometidos com a diversidade da sociedade”, afirma.

O coordenador destaca ainda a importância de ampliar a diversidade de vozes presentes nos conteúdos institucionais.

“Uma comunicação pública responsável precisa refletir a pluralidade da sociedade que atende. Isso significa diversificar as fontes, reconhecer diferentes experiências e evitar que determinados grupos sejam representados sempre pelos mesmos estereótipos. São escolhas editoriais que ajudam a garantir informação mais representativa e respeitosa”, acrescenta Álvaro Marinho.

O letramento racial aplicado à comunicação não se limita a uma lista de expressões a evitar. Ele estimula uma análise crítica das palavras, imagens, fontes e perspectivas que compõem cada conteúdo.

Marcia Marafon / Foto: Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br

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