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 23/10/2026   14:49   

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Método CIS estimula reflexão e novos projetos de vida no sistema prisional de Rondonópolis

Uma nova maneira de enxergar a própria história, reconhecer os erros e acreditar que é possível recomeçar. Essa foi a experiência relatada por uma pessoa privada de liberdade da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, em Rondonópolis, após participar do Método CIS (Coaching Integral Sistêmico). A iniciativa, incentivada pela juíza Sabrina Andrade Galdino Rodrigues, titular da 4ª Vara Criminal de Rondonópolis, busca contribuir para a ressocialização porMulher de cabelos longos e escuros, óculos de armação dourada e blazer rosa-claro é entrevistada por microfone da TV Justiça; ao fundo, bandeiras. meio do autoconhecimento, do controle emocional e da construção de novas perspectivas de vida.

Desde junho deste ano, pessoas privadas de liberdade de unidades prisionais do município participam do treinamento, transmitido ao vivo pela internet. A iniciativa oferece uma oportunidade de reflexão sobre escolhas, responsabilidades, vínculos familiares e objetivos para o futuro, aspectos que podem fazer a diferença no retorno à sociedade.

Uma oportunidade de transformação

Para a juíza Sabrina Andrade Galdino Rodrigues, o Método CIS permite que os participantes reflitam sobre a própria trajetória e compreendam como suas decisões influenciam os rumos da vida. “O método trabalha com autorresponsabilidade, conscientização, disciplina, assuntos como perdão e família. É um treinamento que aborda diversas áreas da vida. A iniciativa busca fazer com que cada um compreenda que está ali em razão das atitudes que teve no passado”, explica.

A magistrada destaca que muitas pessoas envolvidas com a criminalidade cresceram em ambientes marcados por vulnerabilidade social, abandono, conflitos familiares e uso de drogas. Nesse contexto, o acesso a novas perspectivas pode ajudar a romper padrões de comportamento e ampliar as possibilidades para o futuro.

“É algo extremamente relevante e contribui muito para que essas pessoas possam enxergar outro caminho para seguir quando saírem da unidade prisional. Quando apresentamos um outro olhar sobre a vida e mostramos que ela também é resultado das nossas escolhas, isso provoca reflexão para que, quem sabe, façam escolhas diferentes”, afirma.

O treinamento também trabalha o desenvolvimento de sonhos, o perdão, a reconciliação e o estabelecimento de metas. A proposta é estimular os participantes a reconhecerem que a mudança de trajetória exige reflexão e atitudes concretas.

“Foi transformador para mim”

Homens de uniforme amarelo estão sentados em cadeiras pretas e assistem um vídeo com um homem gesticulando, em sala com ar-condicionado.O impacto da experiência aparece no depoimento de um dos participantes, identificado pelas iniciais M.N.M.F., que cumpre pena na Penitenciária Mata Grande. Em mensagem encaminhada à juíza, ele relatou que, antes de participar do treinamento, estava sem objetivos e expectativas.

“Quando eu pude participar desse método, foi transformador. Foi uma coisa muito renovadora para mim como pessoa e como privado de liberdade, porque quero fazer a diferença. Quero saber que a ressocialização existe e é capaz, sim, de mudar vidas e de transformar”, declarou.

O participante também lamentou não ter conseguido acompanhar toda a programação, que se estendia até a madrugada, devido às limitações de acesso durante o treinamento na unidade prisional. Mesmo com o tempo reduzido, ele afirmou que o conteúdo recebido provocou mudanças na maneira de pensar e trouxe novos aprendizados. “Foi muito transformador. A gente acabou recebendo o que foi passado e temos que colocar em prática a partir de agora”, ressaltou.

A expectativa, segundo ele, é que os aprendizados ultrapassem os muros da penitenciária e alcancem também seus familiares e as pessoas próximas. O depoimento evidencia uma das possibilidades proporcionadas pela iniciativa: estimular a mudança individual e fortalecer a perspectiva de reconstrução dos vínculos afetivos e sociais.

Novas turmas e continuidade

A gerente penal da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, Kamila Dornelas Trevizan, comentou que a unidade participou das edições realizadas em junho, agosto e outubro. Segundo ela, os treinamentos são organizados em três dias, com aproximadamente oito horas de atividades por dia. Cada turma reúne cerca de 30 participantes, em grupos diferentes.

Para a gerente, o trabalho com inteligência emocional, autoconhecimento e autorresponsabilidade pode contribuir significativamente para a ressocialização. “Muitas dessas pessoas chegam ao sistema prisional com histórias de vida difíceis, conflitos familiares e dificuldades para lidar com suas emoções e decisões. Acreditamos que esse treinamento pode ajudá-las a refletir sobre suas escolhas, reconhecer seus erros, controlar melhor suas emoções e, principalmente, compreender que é possível construir uma história diferente”, avalia.

Kamila ressalta que o papel da gestão penitenciária vai além da segurança e do cumprimento da pena. “Nossa responsabilidade é também proporcionar oportunidades reais de transformação. E o Método CIS pode ser mais uma ferramenta importante nesse processo”, afirma.

Acesso gratuito ao treinamento

O Método CIS foi criado por Paulo Vieira e é aplicado pela Febracis Coaching. A formação trabalha diferentes dimensões da vida, como os aspectos emocional, familiar, social, profissional e financeiro, com foco no desenvolvimento pessoal e na mudança de comportamentos.

De acordo com a juíza Sabrina, a participação ocorre por meio de acesso gratuito disponibilizado pela Febracis a profissionais da segurança pública e pessoas privadas de liberdade. As unidades recebem o link para acompanhar as transmissões ao vivo, realizadas em diferentes cidades.

A magistrada afirma que a intenção é manter a participação nas próximas edições do treinamento. A continuidade da iniciativa pode ampliar as oportunidades de reflexão e aprendizado, reforçando que a ressocialização também depende de ações que ajudem as pessoas privadas de liberdade a identificar alternativas à criminalidade e a se preparar para uma nova etapa da vida.

Roberta Penha

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br

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