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 20/10/2026   16:00   

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Projeto aproxima a Justiça de comunidade e mobiliza padrinhos para presentear 100 crianças

Grupo de crianças com camisetas azuis da "Instituição Águias" reunido em amplo saguão sobre um tapete estampado, ouvindo atentamente uma mulher que fala ao microfone.Cem crianças atendidas pela Associação Águia Ajudando Vidas, que atua em uma comunidade em situação de vulnerabilidade social em Cuiabá, tiveram um sábado de descobertas, brincadeiras e contato com a cidadania. No dia 17 de outubro, o Fórum da capital abriu as portas para receber o grupo em uma edição-piloto do projeto Sementes da Cidadania, desenvolvido pela Justiça Comunitária de Cuiabá em parceria com o Fórum, que uniu atividades educativas sobre o funcionamento da Justiça a uma mobilização solidária para arrecadar presentes e alimentos.

A iniciativa foi realizada durante o mês das crianças e contou com a participação do Exército Brasileiro, do Corpo de Bombeiros Militar, de fornecedores privados e de voluntários da Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens. A programação foi pensada para aproximar o Poder Judiciário de crianças que vivem nas proximidades do Fórum, mas que nem sempre têm a oportunidade de conhecer de perto o funcionamento da instituição.

Durante a visita, a juíza Hanae Yamamura apresentou, de forma lúdica, como funciona a Justiça. A proposta foi mostrar que o Fórum é um espaço ao qual todos podem recorrer para buscar seus direitos e que a cidadania também começa pelo conhecimento das instituições.

Crianças usando camisetas azuis da "Instituição Águias" divertem-se e sorriem enquanto tomam banho de chuva ou jato d'água ao ar livre.O Exército levou sua banda, viaturas e cães do canil para uma apresentação educativa. As crianças puderam conversar com os militares e conhecer as possibilidades de ingresso na carreira. Já o Corpo de Bombeiros apresentou um caminhão de combate a incêndio, que despertou a curiosidade do grupo. Além de conhecer a viatura por dentro e tocar a buzina, os pequenos participaram de uma atividade com a mangueira do veículo. Foram distribuídos algodão-doce, picolés e promovidos outros momentos de convivência e diversão.

Para a juíza coordenadora da Justiça Comunitária em Cuiabá, Marina Carlos França, a iniciativa representa uma oportunidade de aproximação entre o Judiciário e a comunidade, além de proporcionar às crianças uma experiência prática de cidadania.

“Quando uma criança entra no Fórum, conhece onde a Justiça acontece e conversa com as pessoas que trabalham ali, a instituição deixa de ser um prédio distante e passa a ter rosto. Esse sentimento de pertencimento é o começo da cidadania: entender que existem direitos, que existem instituições para protegê-las e que esse espaço também é delas”, afirmou a magistrada.

Segundo a juíza Marina, a experiência também provoca reflexões entre os profissionais do sistema de Justiça, que passam a conhecer outras dimensões da realidade social. “E a aproximação acontece dos dois lados. Os servidores e magistrados que apadrinharam uma Semente também se aproximaram de uma realidade que muitas vezes não aparece nos processos”, acrescentou.

Mulher de cabelos escuros ondulados sorri para a câmera vestindo toga preta. Ao fundo desfocado, observam-se outras pessoas em um ambiente interno.A juíza diretora do Foro da Capital, Hanae Yamamura destacou o papel preventivo e educativo da iniciativa, especialmente por aproximar as crianças de seus direitos desde a infância.

“São pessoas que precisam dessa atenção, desse carinho. A Justiça também é feita de forma preventiva, quando mostramos para as crianças que elas possuem direitos, que têm a Casa da Justiça para buscar esses direitos. Isso tudo faz parte também da função social que o Poder Judiciário exerce dentro da sociedade, que é de informação, de educação e de distribuir Justiça desde a primeira infância”, afirmou.

A aproximação com o Judiciário foi acompanhada de momentos que despertaram a curiosidade das crianças sobre diferentes profissões. “Estou achando muito legal conhecer o Exército. Eu quero ser policial quando crescer”, contou Pedro Guilherme, de 10 anos. Isis Lorena, também de 10 anos, destacou a importância de viver uma experiência como essa. “É uma coisa muito legal que a gente leva para a vida toda, então é muito importante para a gente.”

Campanha Solidária

A ação também marcou a entrega coletiva dos brinquedos arrecadados pela campanha “100 Sementes – Padrinhos e Madrinhas da Cidadania”.  Pessoas foram mobilizadas para presentear as crianças sem expor suas identidades. Cada uma delas foi representada por uma semente numerada de 001 a 100, identificada apenas pelo gênero e pela faixa etária, informações necessárias para orientar a escolha do brinquedo.

A adesão superou as expectativas da organização. Em pouco mais de duas semanas, as 100 sementes foram apadrinhadas por cerca de 70 pessoas, entre magistrados, servidores, assessores, colaboradores e integrantes da comunidade externa. Muitos participantes escolheram mais de uma semente.

Quem desejava participar escolhia uma semente e se comprometia a doar um brinquedo novo. A organização optou por não informar aos padrinhos qual criança receberia cada brinquedo, preservando a privacidade dos participantes e assegurando um tratamento igualitário.

Paralelamente, a campanha “Alimente esta Ideia” arrecadou leite e bolachas para a Associação Águia. Com o apoio da Coordenação Estadual da Justiça Comunitária, também foram destinados à instituição brinquedos, roupas, calçados e cestas básicas. As cestas básicas foram entregues na sede da associação na segunda-feira (19), enquanto os brinquedos foram distribuídos às crianças durante a ação de sábado.

Comunidade

Mulher sorridente de óculos usa camiseta branca do "Projeto Águia" estampada com uma ave azul. Ao fundo desfocado, pessoas transitam sob balões coloridos suspensos.A Associação Águia Ajudando Vidas atende cerca de 100 pessoas, entre crianças e adolescentes, em uma comunidade próxima ao Fórum da Capital. A iniciativa foi idealizada pela moradora Antônia Xavier de Oliveira, em 2018, a partir da percepção das necessidades enfrentadas pelas famílias do bairro.

“Tudo começou com uma barraquinha de lona e hoje estamos com todas essas crianças. A Águia nasceu para ajudar essas crianças, para ter um futuro melhor. Hoje, ver essas crianças aqui vivendo algo tão bom para elas é o fruto que estamos colhendo depois de tanta esperança e fé”, relatou Antônia.

Mulher sorridente de camiseta verde com a palavra "ÁGUIAS" em destaque. Ao fundo desfocado, há pessoas movimentando-se e balões coloridos suspensos.A associação se mantém por meio de doações e do trabalho de voluntários. Vanda Roque, que colabora com a instituição, destacou a emoção de acompanhar a participação das crianças na programação.

“Faltam palavras para descrever. Todos estavam ansiosos por esse evento, que vai marcar essas crianças pelo resto da vida, porque são experiências que não temos no dia a dia. É emocionante ver os olhinhos deles brilhando. É uma alegria fazer parte desse projeto e eu espero que oportunidades como essa se perpetuem, que possam se multiplicar”, afirmou.

Emanuelle Caroline / Foto: Josi Dias

Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br

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