Projeto aproxima a Justiça de comunidade e mobiliza padrinhos para presentear 100 crianças
Cem crianças atendidas pela
Associação Águia Ajudando Vidas, que atua em uma comunidade em situação de
vulnerabilidade social em Cuiabá, tiveram um sábado de descobertas,
brincadeiras e contato com a cidadania. No dia 17 de outubro, o Fórum da
capital abriu as portas para receber o grupo em uma edição-piloto do projeto
Sementes da Cidadania, desenvolvido pela Justiça Comunitária de Cuiabá em
parceria com o Fórum, que uniu atividades educativas sobre o funcionamento da
Justiça a uma mobilização solidária para arrecadar presentes e alimentos.
A iniciativa foi realizada
durante o mês das crianças e contou com a participação do Exército Brasileiro,
do Corpo de Bombeiros Militar, de fornecedores privados e de voluntários da
Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens. A programação foi pensada para aproximar
o Poder Judiciário de crianças que vivem nas proximidades do Fórum, mas que nem
sempre têm a oportunidade de conhecer de perto o funcionamento da instituição.
Durante a visita, a juíza Hanae
Yamamura apresentou, de forma lúdica, como funciona a Justiça. A proposta foi
mostrar que o Fórum é um espaço ao qual todos podem recorrer para buscar seus
direitos e que a cidadania também começa pelo conhecimento das instituições.
O Exército levou sua banda,
viaturas e cães do canil para uma apresentação educativa. As crianças puderam
conversar com os militares e conhecer as possibilidades de ingresso na
carreira. Já o Corpo de Bombeiros apresentou um caminhão de combate a incêndio,
que despertou a curiosidade do grupo. Além de conhecer a viatura por dentro e
tocar a buzina, os pequenos participaram de uma atividade com a mangueira do
veículo. Foram distribuídos algodão-doce, picolés e promovidos outros momentos
de convivência e diversão.
Para a juíza coordenadora da
Justiça Comunitária em Cuiabá, Marina Carlos França, a iniciativa representa
uma oportunidade de aproximação entre o Judiciário e a comunidade, além de
proporcionar às crianças uma experiência prática de cidadania.
“Quando uma criança entra no
Fórum, conhece onde a Justiça acontece e conversa com as pessoas que trabalham
ali, a instituição deixa de ser um prédio distante e passa a ter rosto. Esse
sentimento de pertencimento é o começo da cidadania: entender que existem
direitos, que existem instituições para protegê-las e que esse espaço também é
delas”, afirmou a magistrada.
Segundo a juíza Marina, a
experiência também provoca reflexões entre os profissionais do sistema de
Justiça, que passam a conhecer outras dimensões da realidade social. “E a
aproximação acontece dos dois lados. Os servidores e magistrados que
apadrinharam uma Semente também se aproximaram de uma realidade que muitas
vezes não aparece nos processos”, acrescentou.
A juíza diretora do Foro da
Capital, Hanae Yamamura destacou o papel preventivo e educativo da iniciativa,
especialmente por aproximar as crianças de seus direitos desde a infância.
“São pessoas que precisam dessa
atenção, desse carinho. A Justiça também é feita de forma preventiva, quando
mostramos para as crianças que elas possuem direitos, que têm a Casa da Justiça
para buscar esses direitos. Isso tudo faz parte também da função social que o
Poder Judiciário exerce dentro da sociedade, que é de informação, de educação e
de distribuir Justiça desde a primeira infância”, afirmou.
A aproximação com o Judiciário
foi acompanhada de momentos que despertaram a curiosidade das crianças sobre
diferentes profissões. “Estou achando muito legal conhecer o Exército. Eu quero
ser policial quando crescer”, contou Pedro Guilherme, de 10 anos. Isis Lorena,
também de 10 anos, destacou a importância de viver uma experiência como essa.
“É uma coisa muito legal que a gente leva para a vida toda, então é muito
importante para a gente.”
Campanha Solidária
A ação também marcou a entrega
coletiva dos brinquedos arrecadados pela campanha “100 Sementes – Padrinhos e
Madrinhas da Cidadania”. Pessoas foram
mobilizadas para presentear as crianças sem expor suas identidades. Cada uma
delas foi representada por uma semente numerada de 001 a 100, identificada
apenas pelo gênero e pela faixa etária, informações necessárias para orientar a
escolha do brinquedo.
A adesão superou as expectativas
da organização. Em pouco mais de duas semanas, as 100 sementes foram
apadrinhadas por cerca de 70 pessoas, entre magistrados, servidores,
assessores, colaboradores e integrantes da comunidade externa. Muitos
participantes escolheram mais de uma semente.
Quem desejava participar escolhia
uma semente e se comprometia a doar um brinquedo novo. A organização optou por
não informar aos padrinhos qual criança receberia cada brinquedo, preservando a
privacidade dos participantes e assegurando um tratamento igualitário.
Paralelamente, a campanha
“Alimente esta Ideia” arrecadou leite e bolachas para a Associação Águia. Com o
apoio da Coordenação Estadual da Justiça Comunitária, também foram destinados à
instituição brinquedos, roupas, calçados e cestas básicas. As cestas básicas
foram entregues na sede da associação na segunda-feira (19), enquanto os
brinquedos foram distribuídos às crianças durante a ação de sábado.
Comunidade
A Associação Águia Ajudando Vidas
atende cerca de 100 pessoas, entre crianças e adolescentes, em uma comunidade
próxima ao Fórum da Capital. A iniciativa foi idealizada pela moradora Antônia
Xavier de Oliveira, em 2018, a partir da percepção das necessidades enfrentadas
pelas famílias do bairro.
“Tudo começou com uma barraquinha
de lona e hoje estamos com todas essas crianças. A Águia nasceu para ajudar
essas crianças, para ter um futuro melhor. Hoje, ver essas crianças aqui
vivendo algo tão bom para elas é o fruto que estamos colhendo depois de tanta
esperança e fé”, relatou Antônia.
A associação se mantém por meio
de doações e do trabalho de voluntários. Vanda Roque, que colabora com a
instituição, destacou a emoção de acompanhar a participação das crianças na
programação.
“Faltam palavras para descrever.
Todos estavam ansiosos por esse evento, que vai marcar essas crianças pelo
resto da vida, porque são experiências que não temos no dia a dia. É
emocionante ver os olhinhos deles brilhando. É uma alegria fazer parte desse projeto
e eu espero que oportunidades como essa se perpetuem, que possam se
multiplicar”, afirmou.
Emanuelle Caroline / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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