TJMT conhece experiência do Paraná no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica
Agilizar o acesso à proteção e
garantir que mulheres vítimas de violência doméstica recebam acolhimento e
acompanhamento especializado são desafios que exigem integração entre os
serviços públicos. Em busca de experiências que contribuam para o aprimoramento
dessas políticas, a juíza do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Ana
Graziela Vaz de Campos Alves Correa, integrou a comitiva do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) que realizou, nos dias 15 e 16 de outubro, uma visita técnica ao
Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), em Curitiba.
Coordenadora do Centro
Especializado de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (Ceav) e
integrante da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência
Doméstica e Familiar (Cemulher) do TJMT, a magistrada participou da programação
voltada ao intercâmbio institucional e ao compartilhamento de boas práticas no
enfrentamento à violência contra as mulheres.
A iniciativa integra a estratégia
nacional de visitas técnicas do Grupo de Trabalho de Gestão dos Grupos
Reflexivos e Responsabilizantes para Homens Autores de Violência Doméstica
e
Familiar contra as Mulheres (GT GRH), instituído pela Portaria CNJ nº 465/2025.
Magistrados de Sergipe, Paraíba, Santa Catarina e Rondônia também participaram
da comitiva.
“Como magistrada integrante da
Cemulher e do Grupo de Trabalho do CNJ, destaco a relevância de conhecer essas
experiências, seus desafios e resultados, contribuindo para a construção de
diretrizes nacionais e o fortalecimento das políticas judiciárias de prevenção
à violência doméstica, responsabilização dos autores e proteção dos direitos
das mulheres”, comentou Ana Graziela.
Proteção imediata
Entre as experiências que mais
chamaram a atenção da juíza está o funcionamento de uma Vara de Violência
Doméstica especializada, instalada dentro da Casa da Mulher Brasileira, com
competência exclusiva para apreciar medidas protetivas de urgência.
O modelo permite que a mulher
registre o boletim de ocorrência, solicite a medida protetiva e tenha o pedido
apreciado no próprio local. Além disso, ela pode receber acompanhamento de
profissionais da assistência social e da psicologia, especialmente quando
manifesta a intenção de desistir da medida.
“Nesses casos, a mulher é
acompanhada, passa por uma assistente social e por um psicólogo, que esclarecem
as consequências da desistência, além de encaminhá-la para todos os serviços
necessários da rede de enfrentamento à violência doméstica”, explicou a
magistrada.
A proposta busca garantir que a
mulher tenha acesso não apenas à proteção judicial, mas também à orientação e
ao suporte necessários para enfrentar a situação de violência.
Grupos reflexivos
A programação incluiu visitas à
6ª Câmara Criminal, especializada em violência doméstica, à Coordenadoria da
Mulher, ao Memorial de Direitos Humanos do TJPR e à Casa da Mulher Brasileira.
Neste último local, a comitiva contou com a participação da ministra das
Mulheres, Márcia Lopes. Também foi realizada uma roda de conversa sobre os
Grupos Reflexivos e Responsabilizantes (GRH).
O Paraná se destaca nacionalmente
pela quantidade de iniciativas desse tipo, com mais de 150 grupos em
funcionamento. Os encontros são voltados à reflexão e à responsabilização de
homens autores de violência doméstica e familiar, com o objetivo de contribuir
para a prevenção de novas agressões.
Roberta Penha
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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