Busca Ativa aproxima nove crianças e adolescentes de famílias interessadas em adoção em Mato Grosso
Publicações nas redes
sociais da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-MT) contribuíram para
que nove crianças e adolescentes acolhidos em Mato Grosso iniciassem processo
de aproximação com famílias interessadas na adoção, nos primeiros meses de
2026. Cinco desses casos começaram após divulgação no perfil @cejatjmt no
Instagram.
A iniciativa faz parte
do Projeto Busca Ativa: Uma Família para Amar, desenvolvido pela
Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT), que divulga perfis de
crianças e adolescentes com idade superior a oito anos, ou com deficiência
física e/ou intelectual e grupos de irmãos, considerados com menores chances de
adoção.
Após
esgotadas as buscas por pretendentes interessados e cadastrados no Sistema
Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), o projeto apresenta no portal buscativa.tjmt.jus.br e nas redes sociais da Ceja-MT
imagens e características dessas crianças e adolescentes que aguardam por uma
família.
De acordo com a juíza
auxiliar da Corregedoria Anna Paula Gomes de Freitas, que tem entre suas
atribuições assuntos relacionados à adoção, a iniciativa amplia as
possibilidades de inserção familiar para crianças e adolescentes que enfrentam
mais dificuldades no processo de adoção. “O Busca Ativa representa, muitas
vezes, a última trincheira para que crianças e adolescentes que aguardam há
mais tempo pela adoção possam encontrar uma família. São meninos e meninas que,
por diferentes razões, como a idade mais avançada, a existência de irmãos ou
necessidades específicas, acabam não se enquadrando no perfil mais procurado
pelos pretendentes”, pontua.
Entre os casos
iniciados em 2026, estão duas adolescentes de 12 e 13 anos e um menino de 11
anos, de Cuiabá. Também iniciou aproximação uma criança de 6 anos, com
limitações neurológicas e motoras, de Canarana, e uma adolescente de 15 anos de
Pontes e Lacerda, todos após divulgação no Instagram da Ceja-MT.
Há ainda o caso de um
grupo de quatro irmãos de Sinop, três meninas de 4, 6 e 10 anos e um menino de
7 anos. A aproximação ocorreu após divulgação do perfil das crianças no portal
do projeto.
Para a magistrada, ao
dar visibilidade a essas histórias por meio do site e das redes sociais, a
Justiça consegue sensibilizar a sociedade e ampliar as possibilidades de encontro
entre essas crianças e pessoas dispostas a oferecer cuidado, afeto e
pertencimento. “Nosso objetivo é que nenhuma criança cresça sem a chance de
viver em uma família”, argumenta.
Dados - Em Mato Grosso, atualmente 524 crianças e
adolescentes estão em acolhimento institucional. Desses, 85 estão aptos para
adoção e 16 estão inseridos no projeto Busca Ativa. O estado possui 538
pretendentes habilitados à adoção.
Apesar do número de
pretendentes, muitas crianças e adolescentes enfrentam dificuldade para
ingressar em uma família. Isso ocorre porque parte dos interessados busca
crianças mais novas, sem irmãos e sem doenças ou deficiências.
“A experiência com o
projeto Busca Ativa até agora tem tido sucesso, ano passado foram quatro
aproximações de adoções e este ano já foram nove. No entanto, um dos desafios é
mudar a percepção de que adolescentes também podem ser adotados, uma vez que
muitas pessoas preferem crianças mais novas”, explica a secretária-geral da
Ceja-MT, Elaine Zorgetti Pereira.
Funcionamento - Instituído pelo Provimento nº 57/2025-CGJ, o
projeto Busca Ativa funciona após decisão judicial definitiva de destituição do
poder familiar e depois de esgotadas as buscas por pretendentes habilitados no
Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.
Nesses casos, a Vara
responsável pelo processo solicita à Ceja-MT a inserção da criança ou
adolescente no projeto. Quando se trata de adolescentes, também é necessário o
consentimento deles.
Após
a inclusão, a Comissão divulga o perfil nos canais oficiais do projeto, como o
portal buscativa.tjmt.jus.br e o perfil institucional no
Instagram.
As pessoas
interessadas podem manifestar interesse por meio de formulário eletrônico
disponível no site do projeto. Os interessados podem ou não estar habilitados
no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.
As manifestações são
encaminhadas ao juízo competente, que analisa o caso e, se considerar adequado,
autoriza o início da etapa de aproximação e convivência, acompanhada pela
equipe técnica da Vara.
Larissa Klein
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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