Chapada fortalece rede de enfrentamento à violência doméstica com capacitação integrada
Com foco na prevenção e na atuação integrada entre
instituições, o Poder Judiciário de Mato Grosso reuniu representantes de
diversos órgãos públicos e entidades da sociedade civil nesta terça-feira (17),
em Chapada dos Guimarães, para uma atividade de capacitação e fortalecimento da
rede de enfrentamento à violência doméstica. Ao final da reunião de trabalho,
prevaleceu o entendimento de que o combate efetivo à violência contra a mulher
passa pela articulação entre os serviços de proteção e acolhimento e pela
disseminação de informações.
Realizado no plenário do Tribunal do Júri da
comarca, o evento reuniu profissionais da segurança pública, assistência social,
saúde, educação e gestores municipais de Chapada dos Guimarães, Nova
Brasilândia e Planalto da Serra.
Articulação para salvar vidas
Na abertura, o juiz da 1ª Vara da Comarca de
Chapada dos Guimarães, Leonísio Salles de Abreu Júnior enfatizou que o objetivo
é dar os primeiros passos para consolidar uma rede de proteção estruturada e
eficiente no município. “Estamos iniciando um processo de organização dessa
rede, para que possamos atuar de forma mais articulada e proteger melhor as mulheres
vítimas de violência doméstica”, destacou o magistrado.
Ele também chamou a atenção para a gravidade do
problema e a necessidade de ampliar o alcance das informações. “Muitas mulheres
ainda sofrem em silêncio e nem chegam a procurar ajuda. Por isso, é fundamental
que cada profissional aqui seja um multiplicador de informação”, afirmou.
Outro ponto ressaltado pelo juiz foi a importância
da prevenção. Segundo ele, quando o caso chega ao sistema de justiça, a
violência já ocorreu. “Precisamos agir antes, levando informação às escolas e à
comunidade, para que essas mulheres se sintam seguras para buscar apoio”,
completou.
Integração entre instituições
fortalece atendimento
Durante o evento, o delegado de Polícia Civil de
Chapada dos Guimarães, Bruno Lima Barcelos destacou que o enfrentamento à
violência doméstica depende diretamente do trabalho em rede. “A gente nunca
trabalha sozinho. Cada instituição atua até determinado ponto, e a outra dá
continuidade. Essa integração é o que garante um atendimento mais eficaz à
vítima”, explicou.
Ele também alertou para o número significativo de
ocorrências no município e para fatores que contribuem para os casos, como o
consumo de álcool. O delegado reforçou ainda que a delegacia é a principal
porta de entrada, mas que hoje já existem alternativas, como o pedido online de
medidas protetivas.
Inteligência e prevenção no
ambiente escolar
A programação contou ainda com palestra do
superintendente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em Mato Grosso,
Felipe Midon, que abordou o papel da inteligência na prevenção de violências,
especialmente no ambiente escolar.
Ele destacou o crescimento de ameaças e ataques em
escolas, muitos deles relacionados à disseminação de ideologias extremistas na
internet. “Esse é um fenômeno que parecia distante, mas já é uma realidade. Por
isso, a prevenção passa pela capacitação de professores e profissionais da
educação”, pontuou.
Segundo Midon, esses profissionais estão na linha
de frente e podem identificar sinais de risco antes que situações mais graves
ocorram.
Prevenção é o eixo central da
rede
A assessora técnica multidisciplinar da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência
Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso - Cemulher-MT, Adriany Carvalho reforçou que a
rede de enfrentamento vai além do atendimento às vítimas, ela precisa atuar
principalmente na prevenção. “Quando a mulher chega ao sistema de justiça, ela
já teve seus direitos violados. O nosso desafio é evitar que essa violência
aconteça”, explicou.
Ela destacou que o feminicídio é o resultado de um
ciclo de violências e que grande parte desses casos poderia ser evitada com uma
atuação integrada. Dados apresentados durante a capacitação mostram que a
maioria dos feminicídios ocorre dentro de casa e no contexto de relações
íntimas.
Adriany também enfatizou que a rede não é um espaço
físico, mas uma articulação entre instituições. “Se houver falha em um ponto,
toda a rede é comprometida. Por isso, cada órgão tem um papel essencial”,
afirmou.
Municípios destacam importância
da união
O prefeito de Chapada dos Guimarães, Osmar Froner,
destacou que a troca de experiências contribui para fortalecer a organização da
rede local. “Não podemos agir apenas depois que a violência acontece. A
prevenção é o caminho para evitar perdas e proteger famílias”, disse.
A secretária de Assistência Social de Planalto da
Serra, Amanda Alves Martins Cerenza, avaliou que o fortalecimento da rede
melhora diretamente o atendimento às vítimas. “Quanto mais estruturada for essa
rede, mais eficiente será o apoio oferecido às mulheres”, afirmou.
Já o secretário de Assistência Social de Nova
Brasilândia, Edimar Rodrigues Silva, chamou a atenção para a urgência do tema.
“Os números mostram que precisamos agir agora. A violência está presente no
nosso dia a dia e exige resposta imediata”, pontuou.
Fortalecimento contínuo
O encontro integra uma série de ações voltadas à
consolidação da rede de enfrentamento à violência doméstica na região. A
proposta é promover a troca de experiências, alinhar fluxos de atendimento e
ampliar a atuação conjunta entre os órgãos.
A iniciativa segue as diretrizes da Lei Maria da
Penha, que estabelece a atuação integrada entre instituições como estratégia
fundamental para prevenir e combater a violência contra a mulher.
Ao final, o consenso entre os participantes foi claro: somente com articulação, informação e atuação preventiva será possível reduzir os índices de violência e garantir proteção efetiva às mulheres.
Imagens: Aldenor Camargo - TJMT
Roberta Penha
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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