Curso do TJMT forma 100 novos facilitadores e fortalece cultura de paz nas escolas de MT
O
fortalecimento de uma cultura de paz nas escolas ganha um novo impulso em Mato
Grosso nesta quarta-feira (18) com o encerramento do curso de formação em
Justiça Restaurativa que forma mais 100 facilitadores da rede estadual de
ensino. A iniciativa é conduzida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio
do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), em parceria com a Secretaria
de Estado de Educação (Seduc).
A formação
foi realizada na Escola dos Servidores do Poder Judiciário, em Cuiabá, e reuniu
assistentes sociais e psicólogos das equipes psicossociais que atuam em 139 escolas
estaduais distribuídas por 11 municípios da Diretoria Metropolitana de Educação
(DME), incluindo Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães e Poconé.
Mais do que uma formação técnica, o curso propõe uma mudança na forma de lidar com conflitos no ambiente escolar, apostando no diálogo, na escuta e na construção coletiva de soluções.
De acordo com a desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), Clarice Claudino da Silva, a formação integra uma estratégia institucional construída em parceria com a Secretaria de Estado de Educação que tem como meta ampliar a capacidade de atuação das escolas na prevenção e no enfrentamento qualificado dos conflitos.
“A construção de uma cultura de paz passa, necessariamente, pela forma como ensinamos nossas crianças e jovens a lidar com os conflitos. Quando o Poder Judiciário amplia a oferta de cursos para formação de facilitadores, nós estamos automaticamente ampliando a capacidade de resposta das escolas diante das mais diversas necessidades do ambiente escolar. Significa dizer, que estamos entregando um componente a mais que irá fortalecer e dar respaldo qualificado aos profissionais assegurando respostas mais efetivas, e porque não, afetivas aos conflitos e desentendimentos do cotidiano”, refletiu a desembargadora.
O assessor de relações institucionais do Nugjur e instrutor da formação, Rauny
Viana, explicou que o curso é resultado de uma articulação entre o Judiciário, o Ministério
Público e a Seduc, e faz parte de uma trilha formativa mais ampla.
“Esse é o
módulo prático da formação. Os participantes saem aptos a conduzir círculos de
diálogo sobre temas como bullying, respeito, preconceito e inclusão,
fortalecendo habilidades socioemocionais dos estudantes. É mais uma ferramenta
para promover a pacificação social nas escolas”, explicou.
Embora o
programa completo siga até o sétimo módulo ao longo do ano, os participantes já
concluem esta etapa preparados para aplicar as práticas restaurativas em suas
unidades.
Parceria estratégica
O psicólogo
da Coordenadoria de Gestão Escolar e de Rede (DME) da Seduc, Hallison José
Gonçalves de Souza, destacou que a Justiça Restaurativa representa um avanço
estratégico na forma de atuação dentro das escolas.
Segundo ele,
a iniciativa está inserida em uma política estruturada e construída ao longo
dos últimos anos, fortalecida pela parceria entre o Judiciário e a Educação.
“A gente está
falando de uma política consolidada, com eixos bem definidos e que se fortalece
com essa parceria entre o Tribunal de Justiça e a Secretaria de Educação. Com
essa formação, são 100 servidores que passam a atuar diretamente no chão da
escola, atendendo 11 municípios e ampliando o alcance das práticas
restaurativas em dezenas de unidades escolares”, explicou.
Hallison
também destacou que a aplicação prática já tem mostrado resultados no cotidiano
escolar. “Hoje mesmo participei de uma situação em uma unidade escolar em que o
Círculo de Construção de Paz foi essencial. Era um contexto de conflito e, além
das orientações tradicionais, o Círculo possibilitou que os estudantes tivessem
espaço de fala, protagonismo e escuta. Muitas vezes, eles conseguem expressar
ali questões que estavam ocultas. Isso faz toda a diferença na resolução dos
conflitos”, relatou.
Cotidiano transformado
Para a
assistente social Fabiana Monteiro, da Escola Estadual Padre Firmino, em
Cuiabá, a formação traz impactos diretos no cotidiano escolar.
“É muito
importante poder levar para os estudantes esse conhecimento, fortalecer o
vínculo dentro da sala de aula e nas unidades escolares. Esse curso está sendo
fundamental para a nossa atuação profissional”, destacou.
A proposta da
Justiça Restaurativa é justamente ampliar as possibilidades de intervenção das
equipes psicossociais, que já atuam na mediação de conflitos, oferecendo
ferramentas práticas como os Círculos de Construção de Paz.
A assistente
social Ana Paula Rocha, da Escola Estadual Ernandy Maurício Baracat de Arruda,
em Várzea Grande, ressaltou a transformação que a metodologia proporciona.
“O Círculo
tem sido uma experiência maravilhosa. É uma nova ferramenta para situações que
já trabalhamos, mas com um novo olhar, baseado na comunicação não violenta e na
escuta ativa, sem julgamentos. Agora, com essa formação, vamos conseguir aplicar
de fato essa metodologia dentro da escola”, afirmou.
Impacto na
rede de ensino
Com a
conclusão desta turma, Mato Grosso alcança a marca de 225 facilitadores
formados em Justiça Restaurativa em menos de quatro meses — sendo 100 novos
profissionais nesta etapa e outros 125 formados anteriormente.
A iniciativa
fortalece a atuação das equipes psicossociais, previstas na Lei Federal nº
13.935/2019, que garante a presença de psicólogos e assistentes sociais na
educação básica para apoio ao desenvolvimento dos estudantes.
Na prática, a formação contribui para:
- prevenção e mediação de conflitos;
- promoção da saúde emocional;
- melhoria das relações escolares;
- fortalecimento da cultura de paz.
Vitória Maria Sena / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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