Especialistas destacam papel do registro e da governança na regularização fundiária
O Seminário Virtual “Regularização Fundiária
na Amazônia”, promovido pela Corregedoria-Geral da Justiça de
Mato Grosso durante a 4ª Semana Nacional de Regularização Fundiária – Solo
Seguro Amazônia Legal, destacou o papel do registro de imóveis e da cooperação
institucional para garantir segurança jurídica e desenvolvimento territorial.
A registradora de imóveis da comarca de Pinhão
(PR) e diretora de Regularização Fundiária Urbana do Registro de Imóveis do
Brasil (RIB Nacional), Clícia Roquetto,
falou sobre “O Registro de Imóveis como Ponte: governança fundiária e
cooperação institucional na Reurb”, a especialista explicou como o
registro imobiliário atua na estruturação da governança fundiária e na
consolidação da regularização urbana.
Segundo a palestrante, o Brasil possui cerca de 12 mil favelas e
comunidades identificadas no Censo 2022, onde vivem
aproximadamente 16 milhões de pessoas. Ela destacou que a irregularidade
fundiária não está apenas em áreas de ocupação precária. “Há loteamentos com
ruas asfaltadas e iluminação que continuam juridicamente invisíveis, sem
matrícula individualizada e sem a proteção do registro”, afirmou.
Clícia ressaltou que o registrador de imóveis
exerce uma função técnica e social na organização do território. “Quando
compreendemos que cada matrícula aberta representa uma família reconhecida e um
futuro com dignidade, percebemos que o nosso ofício é técnico e profundamente
humano”, disse.
Durante a exposição, a registradora explicou que
a Regularização Fundiária Urbana (Reurb) começa e termina no registro de imóveis.
No início, as buscas registrárias identificam a origem dominial da área e
orientam o planejamento do processo. Ao final, o registro transforma a política
pública em direito real, garantindo estabilidade jurídica.
A palestrante também apresentou o fluxo
recomendado para a Reurb complexa, composto por 13 etapas, que incluem
instauração formal do processo, buscas registrárias, diagnóstico urbanístico e
ambiental, notificações dos interessados, análise de impugnações, cadastro dos
ocupantes, elaboração do projeto de regularização, decisão da autoridade
competente, titulação e registro final. Segundo ela, um dos erros mais comuns é
iniciar o processo pelo final, com medições e elaboração da Certidão de
Regularização Fundiária (CRF) antes da análise registral. “A CRF não é o ponto
de partida, é o ponto de chegada”, enfatizou.
A terceira palestra foi conduzida por Iza Karol Gomes Luzardo Pizza, da Assessoria
Executiva do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), com o tema “Regularização
Fundiária na Amazônia Legal: segurança jurídica, governança territorial e
desenvolvimento sustentável”.
A especialista destacou que a regularização
fundiária é essencial para organizar o território, garantir segurança jurídica
e impulsionar o desenvolvimento. Segundo ela, o Programa Solo Seguro,
coordenado nacionalmente pelo Conselho Nacional
de Justiça e executado pelos tribunais em parceria com órgãos estaduais
e municipais, tem papel importante nesse processo.
Entre as ações realizadas, o programa promove o
levantamento documental das áreas, organiza os processos de regularização,
registra os imóveis nos cartórios e garante a entrega dos títulos de
propriedade às famílias.
Iza Karol apresentou como exemplo a regularização
do Residencial Pomeri, em Cuiabá, construído em 2005 pelo programa habitacional
Meu Lar, com 109 unidades destinadas a servidores da segurança pública. O
processo exigiu estudos técnicos, definição do perímetro da área, consultas a
órgãos públicos, elaboração de diagnóstico e projeto de regularização, além da
notificação dos interessados e registro final no cartório de imóveis.
De acordo com dados apresentados pela
palestrante, entre
2019 e 2025 foram entregues 21.772 títulos definitivos em Mato Grosso,
sendo 19.634 urbanos e 2.138 rurais. Em 2026, já foram emitidos 1.412 títulos urbanos e
127 rurais.
Para a representante do Intermat, a cooperação
entre instituições é fundamental para ampliar os resultados. “A regularização
fundiária é um instrumento essencial para garantir segurança jurídica,
fortalecer a governança territorial e promover o desenvolvimento sustentável,
especialmente na Amazônia Legal”, afirmou.
A abertura do evento foi realizada pelo José Luiz Leite Lindote, corregedor-geral da
Justiça de Mato Grosso, que destacou a importância da cooperação entre
instituições para enfrentar os desafios da regularização fundiária na região
amazônica. Segundo ele, a solução dos conflitos territoriais exige diálogo,
articulação e medidas práticas entre os diversos órgãos envolvidos.
A condução das palestras foi feita pela juíza
auxiliar da Corregedoria, Myrian Pavan Schenkel,
que ressaltou a necessidade de respostas institucionais articuladas. Para a
magistrada, a regularização fundiária demanda conhecimento técnico, diálogo
interinstitucional e sensibilidade social, além da atuação de instrumentos como
as Comissões de Soluções Fundiárias para ampliar a cognição judicial nos
conflitos coletivos.
O seminário foi transmitido pelas plataformas
Teams e YouTube e reuniu cerca de 300 participantes, entre
magistrados, servidores, registradores, gestores públicos e representantes de
instituições parceiras. O evento integra a programação da Semana Solo Seguro,
iniciativa do Conselho Nacional de Justiça
voltada à ampliação da regularização fundiária no país.
Assessoria de Comunicação
CGJ-MT
corregedoria.comunicacao@tjmt.jus.br
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