Judiciário leva debate sobre ciclo da violência para escola em Chapada dos Guimarães
Discutir o papel da Justiça na prevenção da violência,
proteção das vítimas e na conscientização sobre direitos e mecanismos de
denúncia. Esse foi o objetivo da participação do Poder Judiciário de Mato
Grosso, por meio da Comarca de Chapada dos Guimarães, na 1ª Semana Escolar
de Combate à Violência contra a Mulher.
A palestra de encerramento, que aconteceu nesta
quarta-feira (11), foi conduzida pelo juiz da comarca, Leonísio Salles,
reunindo estudantes, pais, educadores e representantes da rede de proteção do
município.
O encontro contou com a presença de representantes de
diversas instituições, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção
local, Ministério Público, equipe da assistência social do município, a
primeira-dama do município, imprensa local, além de pais de alunos, professores
e servidores da escola. A participação de diferentes instituições evidenciou a
atuação conjunta da rede de proteção no enfrentamento à violência.
Durante a palestra, o magistrado destacou que muitas
situações de violência não começam com agressões físicas, mas com
comportamentos abusivos que surgem de forma gradual. Para ele, compreender o
chamado ciclo da violência é fundamental para identificar os primeiros
sinais e impedir que as agressões escalem para episódios mais graves.
O juiz explica que esse ciclo costuma iniciar com
atitudes de controle e desvalorização da vítima, seguidas por ameaças e intimidação,
avançando para violência psicológica e, em muitos casos, culminando em
violência física. Após os episódios de agressão, pode ocorrer uma fase de
reconciliação aparente, que frequentemente mantém a vítima presa ao ciclo de
violência.
“A violência raramente começa de forma visível. Muitas
vezes ela se inicia com pequenas atitudes de controle, humilhação ou
intimidação que acabam sendo naturalizadas. Reconhecer esses sinais é o
primeiro passo para interromper o ciclo da violência e buscar ajuda”, destacou
o magistrado.
Impactos
psicológicos e sociais
O juiz Leonísio
Salles também alertou para os impactos psicológicos e sociais do trauma
provocado pela violência, que podem se prolongar por muitos anos.
Entre as principais consequências apontadas estão:
- ansiedade e medo constante;
- perda de autoestima;
- isolamento social;
- impactos emocionais na família e nos filhos.
Segundo Salles, compreender essas consequências é
essencial para fortalecer a rede de apoio e estimular que vítimas e testemunhas
denunciem situações de violência e procurem ajuda institucional.
“A violência não atinge apenas quem sofre diretamente a
agressão. Ela gera impactos profundos na família, e especialmente nas crianças
que convivem nesse ambiente. Por isso é fundamental reconhecer os sinais e
procurar apoio”, afirmou.
Presença
interinstitucional
A presença das instituições dentro da escola também foi
destacada por representantes da rede de assistência social do município como
uma estratégia importante de prevenção.
A assessora da assistência social do município de
Chapada dos Guimarães, Andressa Vitória da Silva Figueiredo, ressaltou que
ações integradas ampliam a proteção às vítimas e fortalecem o trabalho das
instituições.
“Essa integração fortalece a proteção de crianças e adolescentes
prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). E a presença do Judiciário
em instituições como escolas, CRAS, aproxima a população de uma justiça mais
comunitária e acessível, sendo uma oportunidade para compreender melhor a
realidade social e tornando o trabalho de prevenção mais eficaz”, destacou.
Para a advogada e representante
da OAB no município, Natalia Magalhães, é fundamental que crianças e
adolescentes aprendam desde cedo sobre o que é justo, pois isso está ligado à
percepção dos direitos e da própria cidadania.
“A escola é o
primeiro espaço público de convívio social de crianças e adolescentes. É ali
que se formam valores, se constroem visões de mundo e se aprende — ou não — a
reconhecer o que é justo. Por isso, levar o debate jurídico sobre a violência
contra a mulher para dentro das salas de aula não é apenas uma ação educativa:
é um ato de prevenção, de cidadania e de compromisso com os direitos humanos”, afirmou.
A Semana Escolar de Combate à Violência foi
promovida pela Prefeitura de Chapada dos Guimarães, por meio da Secretaria
Municipal de Educação, e integrou uma série de ações educativas realizadas em
diferentes unidades da rede municipal de ensino desde o início de março.
Assessoria
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
Notícias Relacionadas
26/01/2025 07:31
Comarca de Chapada dos Guimarães celebra 34 anos de Justiça e inovação
14/10/2026 14:40
Comarca de Chapada dos Guimarães credencia profissionais de Psicologia e Serviço Social
21/03/2025 10:06
Círculo de Paz promove diálogo e inclusão para pessoas com Síndrome de Down em Chapada dos Guimarães











