Plantio de mudas do Verde Novo fortalece o solo e a história na Praça do Rosário
Mais do que plantar árvores, a ação realizada pelo
Programa Verde Novo, do Poder Judiciário de Mato Grosso, na região da Praça do
Rosário, em Cuiabá, representa um cuidado direto com o solo, com o patrimônio
histórico e, principalmente, com as famílias que vivem no local há décadas. Em
parceria com o Canteiro Modelo de Conservação de Cuiabá (CMCC), da Universidade
Federal de Mato Grosso (UFMT), e com o Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN), o projeto levou mudas frutíferas para quintais de
casas históricas que passaram recentemente por obras de drenagem e contenção do
terreno.
O plantio foi realizado nas residências localizadas
nos números 149 e 55 da praça. Os imóveis estão em uma área de declive
acentuado, onde foram necessárias intervenções estruturais para evitar o
deslocamento do solo. Agora, com a introdução das árvores, as raízes das
plantas irão contribuir para a estabilização da terra e para a proteção do
sistema de drenagem instalado no local.
A engenheira florestal do Programa Verde Novo,
Rosiani Carnaíba, explica que a ação integra um conjunto de medidas para
proteger o terreno e melhorar o ambiente da região. “Esse local possui um
talude, uma área inclinada, e o plantio das árvores ajuda justamente a fixar o
solo. As raízes seguram a terra e evitam que ela seja levada pelas chuvas, o
que poderia prejudicar os imóveis que ficam aqui embaixo”, destacou.
Ao todo, foram plantadas mudas de espécies
frutíferas escolhidas a pedido dos moradores, entre elas: ata, acerola,
bacupari, goiaba e pitanga. A expectativa é que, além de ajudar na estabilidade
do solo, as árvores formem um pequeno pomar no quintal compartilhado pelas casas.
Conservação do patrimônio e apoio
às famílias
A ação faz parte de um trabalho maior voltado à
conservação de imóveis históricos localizados no centro antigo de Cuiabá, área
tombada pelo IPHAN. O projeto é desenvolvido pelo Canteiro Modelo de
Conservação de Cuiabá, que atua na assistência técnica a moradores que vivem em
casas históricas, muitas vezes sem recursos para realizar manutenções
estruturais.
Segundo a professora Luciana Mascaro, do
Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFMT e coordenadora do projeto de
extensão, a parceria com o Verde Novo foi fundamental para concluir o processo
de recuperação do terreno.
“Depois de realizar obras de drenagem e muros de
arrimo para conter o terreno, nós precisávamos da vegetação para finalizar o
projeto. As raízes das árvores ajudam a segurar o solo e evitam que a água das
chuvas carregue a terra, trazendo mais segurança para os moradores e para toda
a região”, explicou.
A professora ressalta que o trabalho beneficia não
apenas as famílias que vivem ali, mas também a cidade como um todo. Isso porque
a área fica em um vale próximo ao córrego da Prainha, onde o controle da erosão
e da drenagem é fundamental para reduzir o impacto das chuvas.
Aprendizado e integração com a
universidade
A iniciativa também se tornou um espaço de aprendizado para estudantes
da UFMT, que participam do projeto de extensão acompanhando as intervenções
realizadas nos imóveis históricos.
A estudante do quarto semestre de Engenharia Sanitária da UFMT, Leily
France Monteiro da Silva, participou pela primeira vez da atividade e destacou
a importância de ver diferentes instituições trabalhando juntas. “Eu achei
muito interessante ver o Judiciário participando de uma ação como essa, voltada
ao social. A gente está aqui aprendendo na prática sobre drenagem,
infraestrutura e preservação do patrimônio, mas também sobre a qualidade de
vida das pessoas que moram nesses locais”, afirmou.
Quintal que guarda histórias
Para quem mora nas casas da Praça do Rosário, o plantio das mudas
representa mais do que uma ação ambiental. É também um resgate da memória e do
modo de vida antigo, quando os quintais eram cheios de árvores frutíferas.
A moradora Lindinalva Figueiredo, que vive no local há muitos anos,
lembra que o espaço já teve diversas plantas e agora ganha uma nova
oportunidade de voltar a florescer. “Essa ação é muito importante. As árvores
trazem frutos e ajudam em muita coisa. Antes, já tivemos bananeira, cajueiro,
limoeiro. Com o tempo, algumas plantas se perderam, mas agora vamos cuidar novamente.
Só traz benefício para quem mora aqui”, contou.
Já o morador Maurício Figueiredo, que nasceu na casa e mantém uma forte
ligação com o lugar, acredita que o espaço ganhará uma nova vida com o pomar.
“Eu sempre sonhei em melhorar esse quintal. Agora está acontecendo. Com essas
árvores, vai mudar tudo, vai ficar um ambiente muito melhor para viver”, disse.
Como participar do Verde Novo
Cidadãos e instituições interessados em solicitar mudas gratuitamente
podem entrar em contato com o Programa Verde Novo pelo e-mail verdenovo@tjmt.jus.br ou pelo ZapMudas, no telefone (65) 3617-3090.
Também é possível agendar plantios em espaços públicos e se cadastrar como
voluntário.
Roberta Penha / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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