Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT
Magistrados(as), servidores(as) e
gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo
da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de
Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em
parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola
dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.
A formação integra a estratégia
institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal,
com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos
fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos
temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania,
inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no
ciclo penal.
O diretor da Esmagis-MT, desembargador
Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel
essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento
institucional.
“A execução penal exige uma
jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema
prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas
responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a
recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas
verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e
responsabilidade de todos nós”, comentou
Supervisor do GMF-MT, o
desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca
ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É
muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a
importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e
depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover
as melhorias necessárias”.
A formadora do curso, Laryssa
Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba
e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania
(Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na
humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na
necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a
reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à
execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o
compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas
privadas de liberdade.
“O curso propõe uma reflexão
sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução
penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas
prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas
de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições
para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e
dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade.
Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.
Participação ativa
Juiz da 3ª Vara Criminal de
Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes
para o enfrentamento da superlotação carcerária.
“Mato Grosso vive uma realidade de
superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e
tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os
poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário,
especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação
carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e
reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma
realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o
Judiciário, mas também o Executivo”, contou
Já a magistrada Edna Ederli
Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e
juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o
sistema penitenciário sob a perspectiva humana.
“Esses cursos são fundamentais
porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um
ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da
burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como
este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada
de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer
trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando
toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.
Formação alinhada às metas institucionais
A capacitação “Pena Justa no
Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de
Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as),
assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas
de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e
garantia de direitos fundamentais.
O próximo módulo será ofertado no
período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura
e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.
O terceiro e último módulo será promovido
no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz
Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.
Ana Assumpção / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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