Dislexia e TDAH: leitura pode se tornar um desafio e exige olhar inclusivo do poder público
A dificuldade para ler e compreender textos, que para muitos passa despercebida, pode ser um obstáculo significativo para pessoas com dislexia e TDAH. O tema foi abordado no podcast Prosa Legal, da Rádio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em entrevista com a psicóloga do Departamento de Saúde, Gisele Ramos de Castilho Teixeira. Durante a conversa, ela destacou os desafios enfrentados por esse público e reforçou o papel do setor público na construção de uma comunicação mais inclusiva.
Logo no início da
entrevista, a psicóloga explicou que a leitura pode gerar cansaço e dificultar
a compreensão. “A principal dificuldade é a fadiga e a impulsividade. Quando a
pessoa com dislexia lê, muitas vezes ela tenta adivinhar o que está lendo. Ela
tem dificuldade de decodificar a letra, troca ‘p’ por ‘b’, por exemplo. Isso
traz muitas consequências cognitivas, tanto para a criança quanto para o
adulto”, afirmou.
Papel
do setor público
Ao falar sobre inclusão,
Gisele Teixeira foi direta em destacar a responsabilidade das instituições
públicas. Para ela, é o setor público quem deve criar políticas que garantam o
acesso e o pertencimento dessas pessoas na sociedade.
“Quem faz as políticas é o
setor público. Então, é preciso ter esse olhar afetivo, esse olhar diferenciado.
É isso que vai fazer com que a pessoa com alguma deficiência consiga se
incluir, consiga, por exemplo, pesquisar um processo no site do Tribunal de
Justiça”, disse.
A psicóloga ressaltou que
essas ações são fundamentais para que essas pessoas se sintam parte da
sociedade e tenham seus direitos garantidos, especialmente no acesso à
informação.
Acesso
e ferramentas
Durante a entrevista na
Rádio TJMT, também foi destacada a importância de pensar em formas de facilitar
o acesso à leitura e à informação. Segundo ela, pessoas com dislexia e TDAH
podem perder o foco com textos longos e ter dificuldade de manter a atenção.
“O TDAH é a questão da
atenção. Muitas vezes, a pessoa começa a ler um texto grande e perde o foco. Já
na dislexia, ela não consegue ver a palavra como quem não tem essa dificuldade
vê. Ela começa a trocar letras, a adivinhar”, explicou.
Orientação
e busca por ajuda
Ao final da conversa, Gisele
orientou que o primeiro passo é se conhecer e buscar ajuda especializada. Ela
destacou a importância de dividir a leitura em partes menores e respeitar os
próprios limites.
“Se a pessoa pega um texto
muito grande, muitas vezes ela não tem foco. Então, é importante trabalhar por
partes e se conhecer no dia a dia. E, principalmente, aceitar essa condição
para buscar ajuda”, orientou.
A psicóloga também lembrou que esse apoio pode envolver diferentes profissionais. “É uma busca com fonoaudiólogo, com psicopedagogo, com terapia. Muitas vezes até com medicamentos. Essa rede de apoio é importante para cada um desses casos”, concluiu.
Roberta Penha
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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