OmnIA: ferramenta criada por servidores do TJMT transforma dados em estratégia
Desenvolvida
dentro do próprio Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a ferramenta OmnIA
representa um novo passo na modernização da gestão judicial ao transformar
grandes volumes de dados em orientações estratégicas, acessíveis e práticas
para magistrados(as) e servidores(as). Mais do que uma solução tecnológica, a
plataforma nasce com um diferencial importante: foi concebida por quem conhece
de perto a rotina do Judiciário. Em outras palavras, é uma ferramenta
desenvolvida por servidores para servidores.
A proposta da OmnIA surgiu a partir de uma necessidade concreta identificada no cotidiano das unidades judiciais: a dificuldade de interpretar, de forma rápida e eficiente, a grande quantidade de indicadores, metas nacionais, critérios do Selo CNJ de Qualidade e prioridades processuais que impactam diretamente a produtividade e a gestão do acervo. Antes, esse trabalho exigia a abertura de vários relatórios, leitura de diferentes painéis e conhecimento técnico para cruzar informações. Com a OmnIA, esse processo passa a ser mais simples, intuitivo e direcionado.
A ferramenta permite que o usuário faça perguntas em linguagem natural, como quais processos devem receber prioridade, o que está impactando determinada meta ou onde a unidade precisa melhorar. A partir disso, o sistema consulta bases estruturadas de dados, interpreta as informações com apoio de inteligência artificial e devolve respostas objetivas, com foco na realidade de cada unidade. O objetivo é ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões mais assertivas, sem substituir a atuação humana.
Evolução
dos painéis para uma nova forma de interpretar dados
Para
o gestor de Inteligência de Dados Uiller Del Prado, a OmnIA foi criada
justamente para responder à crescente complexidade da gestão judicial. “A
ferramenta tem por objetivo fazer esta análise de dados, entender fórmulas
complexas e entregar o resultado pronto para as unidades, de maneira muito
análoga ao que seria um GPS da gestão e da produtividade”, explica.
Segundo
ele, a solução nasceu da observação direta das dificuldades enfrentadas pelos
servidores. “A ferramenta OmnIA foi desenvolvida dentro de casa, enxergando as
dificuldades, as necessidades e as oportunidades de automação. Isso traz esse
sentimento de que a ferramenta é nossa, uma entrega de resultado dos servidores
para os servidores”.
O
diretor do Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância (DAPI),
Guilherme Felipe Schultz, destaca que a OmnIA representa uma evolução natural
do trabalho que já vinha sendo feito a partir dos painéis de Business
Intelligence.
“O desafio do DAPI sempre foi entregar informações a partir de dados. Os painéis foram um grande avanço, mas era preciso evoluir com as novas tecnologias. A OmnIA surge como uma maneira diferente de enxergar os dados e as informações, possibilitando caminhos de análise que os painéis, sozinhos, ainda não conseguem alcançar”, afirma Schultz.
Ele ressalta ainda que a principal finalidade da ferramenta é democratizar o acesso à interpretação estratégica dos dados. “O principal objetivo da OmnIA é alcançar o maior número de pessoas com a capacidade de interpretar metas, indicadores e outras informações a partir de metadados processuais. É uma forma de institucionalizar o uso qualificado dessas informações entre magistrados, servidores e assessores”, pontua.
O
que são metadados
Metadados
são "dados sobre dados", informações estruturadas que descrevem,
contextualizam e facilitam a localização, uso e gerenciamento de arquivos,
documentos ou conjuntos de dados, sem revelar seu conteúdo real. Exemplos
incluem autor, data de criação, tamanho e tipo de arquivo, fundamentais para a
organização digital.
Entre
os profissionais que participaram do desenvolvimento da solução, o engenheiro
de IA Edielson Silva destaca que um dos maiores desafios foi fazer com que o
sistema compreendesse, com exatidão, a intenção do usuário. “Nós identificamos
uma lacuna que poderíamos automatizar dentro do Tribunal. O desafio foi
entender e interpretar o que o usuário queria buscar em suas perguntas,
encontrar os caminhos corretos e entregar a informação de forma rápida,
resumida, detalhada e objetiva”, relata.
Para ele, ver a ferramenta em funcionamento é motivo de satisfação. “Hoje nós vemos o efeito e o benefício que ela está trazendo para o servidor. Muitas coisas que antes eram demoradas agora podem ser feitas com mais agilidade”, diz.
Transformação
de dados complexos em respostas simples
O
engenheiro de IA, Breno Morais, destaca o esforço de transformar dados
complexos em algo simples para o usuário final. “Foi um desafio transformar os
dados que antes estavam em vários painéis em uma forma simplificada que o
servidor possa interpretar. Antes, ele precisava abrir vários relatórios e até
lembrar fórmulas matemáticas e estratégias de produtividade. Hoje, pode fazer
uma simples pergunta sobre a unidade dele e receber uma orientação clara sobre
onde focar e o que precisa melhorar”, explica.
Na
mesma linha, Jonatan Ajala, também engenheiro de IA, afirma que o
desenvolvimento da OmnIA exigiu estudo intenso e adaptação a novas tecnologias.
“Foi uma experiência muito boa e também de muito aprendizado. Tivemos muito
estudo, muitos casos de uso e aprofundamento nas ferramentas”, conta.
Ele
destaca, ainda, o valor institucional de o Tribunal investir nos seus próprios
talentos. “Eu acho importante porque as pessoas da casa vão se engajando cada
vez mais e também têm oportunidade de crescimento. Isso fortalece a cultura de
inovação dentro do próprio Judiciário”, completa.
A
analista judiciária Milena Valle Rodrigues, lotada no DAPI, enfatiza que a
proposta da ferramenta é tornar o acesso à informação mais amigável e útil para
quem está na atividade-fim. “A ideia é fazer com que, por meio da inteligência
artificial, nossos usuários, servidores e magistrados possam ter critérios
bastante claros acerca de suas ações no momento da prestação jurisdicional”,
afirma. Segundo ela, o maior desafio está justamente em consolidar todas essas
informações de uma forma simples para o usuário. “A ferramenta contribui muito
por ser uma forma mais amigável de se relacionar com o sistema e com os dados”,
conclui.
Elogios do CNJ e o futuro do OmnIA
Além
do impacto interno, a OmnIA também já começa a ganhar reconhecimento externo.
Durante visita técnica ao TJMT, representantes do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) conheceram a ferramenta e elogiaram a iniciativa. A solução foi
apresentada à comitiva no contexto das ações de transformação digital e
inovação tecnológica desenvolvidas pelo Tribunal. O reconhecimento foi além da
apresentação institucional: o projeto foi visto como uma experiência com
potencial de compartilhamento e expansão para outros tribunais do país.
De acordo com Guilherme Schultz, o CNJ identificou na OmnIA uma ferramenta apta à institucionalização em outros contextos do Judiciário. “OmnIA reforça uma visão estratégica cada vez mais presente no Poder Judiciário de Mato Grosso: a de que inovação não se resume à adoção de tecnologia, mas passa pela capacidade de ouvir quem vive a rotina institucional, compreender suas necessidades e desenvolver soluções alinhadas à realidade do trabalho. Nesse sentido, a ferramenta consolida um modelo que une conhecimento técnico, vivência prática e compromisso com a melhoria dos serviços prestados à sociedade”, observa Schultz.
Uiller Del Prado complementa que o interesse externo confirma o protagonismo do TJMT na área de tecnologia aplicada à gestão judicial. “O Tribunal de Justiça de Mato Grosso já vinha sendo referência em ferramentas de BI e análise de dados. Agora, com a inteligência artificial, dá um novo passo, agregando ainda mais valor à entrega de resultados”, reitera o gestor.
Ana Assumpção / Foto: Maycon Xavier
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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