Servidores e suas histórias são o rosto do Judiciário
Mais do que decisões e
processos, é no atendimento diário ao cidadão que o Judiciário revela sua
verdadeira dimensão. Na escuta atenta, na orientação paciente e na busca por
soluções, servidores transformam rotinas administrativas em experiências que
marcam quem chega ao fórum em busca de Justiça.
São profissionais que
acompanharam a instituição crescer, se modernizar e se tornar referência
nacional, mas que reconhecem que o maior resultado do trabalho não está apenas
nos avanços estruturais ou nos reconhecimentos institucionais. Ele se manifesta
nas pequenas histórias do cotidiano, quando alguém sai dizendo que foi ouvido,
que entendeu seus direitos ou que conseguiu resolver um problema.
O
que sustenta uma instituição pública são pessoas
Na Comarca de Barra do
Bugres, histórias como as de Ana Heloisa Sachuk, Ângela Lopes da Silva, do
oficial de Justiça Pedro Bernardo do Nascimento, o Pedrão, de Rosimari Rita de
Vasconcelos, mostram que o Judiciário é resultado de trajetórias marcadas por
permanência, dedicação e propósito.
Prestes a completar 40 anos
de atuação no Judiciário, a gestora geral da Comarca de Barra do Bugres,
Rosimari Rita de Vasconcelos Barros, carrega na trajetória a experiência de quem
acompanhou profundas transformações institucionais sem perder de vista aquilo
que considera essencial: o cuidado com as pessoas. Ao longo de quatro décadas,
viu o sistema evoluir, a estrutura se modernizar e os procedimentos se tornarem
mais ágeis.
Ela explica que a gestão vai
muito além das atividades administrativas. Envolve desde a condução de equipes
até a organização de toda a estrutura física do fórum, além da coordenação de
eventos complexos, como as sessões do Tribunal do Júri, que exigem planejamento
detalhado e execução precisa.
Segundo Rosimari, esse nível
de organização só é possível porque há um preparo antecipado e uma cultura de
responsabilidade já incorporada pelos servidores. “Hoje, a gente quase não
precisa cobrar, porque todos já sabem como deve ser feito”, explica, destacando
que a gestão também se preocupa em garantir as condições necessárias para que o
trabalho seja bem executado.
Mas, para além da estrutura
e dos processos, é na gestão de pessoas que está o maior desafio. Com
sensibilidade, ela conta que o dia a dia exige atenção constante ao aspecto
emocional dos servidores. “Só pelo olhar, você já percebe quando alguém não
está bem”, relata. Nessas situações,
o diálogo individual se torna essencial para compreender se a dificuldade é
pessoal ou profissional e oferecer o apoio necessário.
Esse olhar humano também se
reflete diretamente no atendimento ao público. Em uma comarca marcada por forte
presença da população rural, muitos cidadãos chegam ao fórum, inseguros, sem
informação e, muitas vezes, com medo. “Quando falam ‘fórum’, muita gente já
entra aqui tremendo”, afirma. Por isso, ela reforça constantemente com as
equipes a importância de acolher, orientar com clareza e acompanhar o cidadão
sempre que necessário, mesmo quando a demanda não é de competência direta do
Judiciário.
Uma
vida dedicada ao Judiciário
A trajetória da auxiliar
judiciária Ângela Lopes da Silva é um retrato da transformação e do fortalecimento
do Judiciário mato-grossense ao longo das últimas décadas. Servidora há 37 anos
no Fórum da Comarca de Barra do Bugres, ela acompanhou a modernização dos
serviços, a digitalização dos processos e a ampliação do acesso da população à
Justiça, mudanças construídas coletivamente e que contribuíram para o
reconhecimento nacional conquistado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em
2025, com o Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade.
Ao relembrar o início da
carreira, a servidora destaca o contraste entre o passado e o presente. “Eu
trabalhei muito com aqueles papéis que a gente carregava, transportava,
encadernava. Era uma montanha de processos físicos”, recorda. Hoje, inserida em
um ambiente praticamente 100% digital, ela reconhece os avanços que tornaram o
trabalho mais ágil e eficiente, além de alinhado a práticas mais sustentáveis.
Atualmente atuando no Centro
Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), Ângela vivencia uma
Justiça mais próxima do cidadão, voltada à conciliação e à resolução mais
rápida das demandas. Mesmo com a dificuldade de traduzir em palavras todas as
mudanças que presenciou ao longo dos anos, ela resume sua trajetória destacando
a evolução institucional. “Vi, sim, a
evolução da Justiça”.
Com mais de 20 anos de
dedicação ao Judiciário, a gestora do Cejusc de Barra do Bugres, Ana Heloisa
Sachuk, se emociona ao falar sobre o trabalho. Para ela, permanecer por tantos
anos no serviço público está diretamente ligado ao amor pela profissão. “A gente
faz o que gosta, o que ama. Se a gente não gosta e não ama, a gente tem que
deixar para quem gosta. O nosso serviço é isso. Você tem que gostar. Se você
não gosta, você não vai conseguir nem sobreviver aonde você está”, diz.
A
escuta
É no atendimento diário que
se constrói a imagem do Judiciário para a população: na orientação paciente, na
explicação simples, na escuta atenta e no cuidado com quem chega ao fórum
muitas vezes inseguro, perdido ou em meio a um conflito.
Com quase quatro décadas de
serviços prestados ao Judiciário como oficial de Justiça, Pedro Bernardo do
Nascimento também não pensa em parar. Aos 66 anos, ele conta que viu o
Judiciário mudar completamente ao longo do tempo, das máquinas de escrever às
intimações por celular, mas afirma que uma coisa continua igual: a necessidade
de lidar com pessoas. “Você vai
conversar com um cidadão, você tem que saber conversar”, resume.
Ele lembra do início da
carreira, quando fazia intimações de bicicleta, e de como as ferramentas
mudaram o trabalho ao longo dos anos, mas reforça que o mais importante
continua sendo o contato humano.
“Eu acho que a minha casa é
aqui no Fórum. A outra eu só vou dormir e volto para cá. Eu gosto e tenho
orgulho de servir o Judiciário. Se não gostasse, eu não ficaria 40 anos”,
afirma.
Patrícia Neves / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
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