Juvam troca cinco mil mudas de plantas por lixo
Mais de cinco mil mudas de plantas, entre nativas e frutíferas, foram trocadas por 10 toneladas de lixo durante a parte fluvial do projeto Ribeirinho Cidadão, realizado entre os dias 12 e 21 de fevereiro, nas comunidades ribeirinhas localizadas entre os municípios de Santo Antonio de Leverger, Barão de Melgaço e Poconé. As mudas foram fornecidas pelo Juizado Volante Ambiental (Juvam). A coleta foi realizada pela Colônia de Pesca Z5, que participa todo o ano do projeto, cedendo uma chalana de apoio, onde o lixo é guardado para depois ser reciclado. O Juvam distribuiu ipês nas cores rosa, amarelo, roxo e branco, tarumãs, aroeira, e jacarandá mimoso. Além das nativas, foram entregues mudas de frutíferas como caju, goiaba e tamarindo.
De acordo com o conciliador do Juvam, Alexandre Corbelino, os sacos, com capacidade para 200 litros, foram entregues nas comunidades ribeirinhas uma semana antes do início do projeto, para que os moradores tivessem tempo de coletar o lixo. Além das mudas, os ribeirinhos receberam roupas e toalhas doadas pela Receita Federal, fruto de descaminho. Ao todo, foram entregues cerca de 7 toneladas de material doado pela Receita.
“Este projeto de educação ambiental é importante, porque além dos moradores estarem ajudando a despoluir o rio, que é seu maior patrimônio, estão contribuindo com a flora, plantando mudas, principalmente às margens do rio”, destaca Corbelino.
Durante o projeto, o Juvam é responsável também pelas doações dos óculos que são fornecidos para aqueles que precisam e também pelas brincadeiras educativas, por meio do jogo Rebojando, desenvolvido pelo Juizado para levar educação ambiental de maneira lúdica e divertida.
Entre os moradores que trocaram lixo por mudas de plantas está a aposentada Maria Conceição de Araújo, 66 anos, moradora do Estirão Cumprido. Ela, juntamente com os netos, recolheu seis sacos repletos de garrafas pet, ou seja, 1200 litros. Tudo foi trocado por 8 mudas de plantas nativas, que imediatamente foram plantadas na frente de casa para futuramente dar sombra e frutos.
“Para nós que moramos aqui é difícil ver tanto lixo descendo rio abaixo. A maioria da sujeira que vem parar aqui na nossa comunidade vem de outros lugares, principalmente garrafa de plástico. Aqui a gente não tem dinheiro para comprar estas coisas com facilidade. Recolhemos o lixo que os outros jogam, mas que vem parar na frente da nossa casa, já que o rio faz parte do nosso quintal. Eu gostei dessa ideia de trocar lixo por planta e roupa”, afirma a moradora.
Quem também recolheu 5 sacos de lixo e aproveitou para fazer a troca foi o aposentado Benedito José Souza Penha, 61 anos, que também gostou da proposta. “Peguei muda de pé de goiaba. É bom que produz fruta para as crianças e os pássaros e ainda faz sombra. Nós que vivemos na beira do rio e dependemos dele para sobreviver ficamos tristes em ver tanta sujeira. Garrafa de plástico é o mínimo, às vezes vem sofá, pneu, capacete e até geladeira velha descendo pelo rio. Triste demais a gente ver isso”, lamenta.
O Projeto Ribeirinho Cidadão, desenvolvido pela Defensoria Pública do Estado, em parceria com o Tribunal de Justiça, apoio do governo do Estado e diversas instituições, é dividido em duas etapas, fluvial e terrestre. A fluvial aconteceu entre os dias 12 e 21 de fevereiro e a terrestre será realizada entre 23 e 29 de fevereiro. Ao todo, 46 comunidades ribeirinhas serão atendidas.
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Janã Pinheiro/Fotos: Chico Valdiner/Gecom-MT
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