Moradores buscam atendimento médico no Ribeirinho
Assim que as chalanas do Projeto Ribeirinho Cidadão e o Navio Hospital da Marinha atracaram nas margens do Rio Cuiabá, na comunidade de Praia do Poço, no município de Santo Antonio de Leverger, a dona de casa Katiane Cristina Santos, 27 anos, já estava na fila à espera de atendimento médico. Mãe de três meninos, os gêmeos Cauã e Cauê, de 7 anos, Kaik de 5, e grávida de 7 meses de uma menina (Katyelly), ela aguardava ansiosamente pela chegada da equipe de saúde, principalmente para levar as crianças ao dentista, serviço escasso para quem reside em um lugar de difícil acesso.
“Para nós, ser atendido assim, na porta de casa, é um privilégio, porque moramos longe de tudo e os serviços de saúde aqui na comunidade são precários. Eu levei os três no dentista. Fizeram limpeza nos dentes, aprenderam a escovar direito e ainda ganharam de presente escova e creme dental. E não gastei nenhum centavo. Além disso, eu consultei no clínico-geral e recebi remédios. Achei excelente. Voltem sempre”.Quem também aproveitou para consultar com o oftalmologista foi a estudante Clara Martins, 8 anos, que estava com dificuldades de enxergar para copiar as tarefas na escola. “Eu nunca tinha consultado das vistas. Eu sento na frente na sala de aula, porque acho difícil enxergar lá do fundo. Agora o médico me disse que vou ter que usar óculos com dois graus. Eu estou feliz porque vou enxergar direito”, comemora.

O pescador Sebastião Oliveira Pinto, 60 anos, também foi consultar com o oftalmologista, porque estava com muita dor nos olhos e não enxergava direito. Depois da consulta, o diagnóstico: pterígio nos dois olhos, uma formação carnosa que avança sobre a córnea. É uma resposta do olho a um processo de irritação ocular crônica, em que a exposição à luz solar e ao vento têm um papel importante. “A vida inteira eu pesquei e nunca usei nenhuma proteção nos olhos, o médico disse que o sol refletindo na água causou essa doença, agora vou fazer uma cirurgia para voltar a enxergar”, conta o pescador, que saiu do projeto com tudo encaminhado para passar pelo procedimento.
A aposentada Maria Conceição Santos, 71 anos, foi também fazer uma consulta com o clínico-geral e aproveitou para agradecer o atendimento recebido durante o projeto na edição de 2015. Moradora da comunidade de Porto Brandão, ela diz que andando no quintal de casa pisou em um prego enferrujado, o que resultou em uma infecção generalizada.
“Fiquei cinco meses sem andar, fui parar no hospital, fiquei 26 dias internada, minha situação ficou muito complicada, porque eu tenho diabetes. Quando o Ribeirinho chegou aqui no ano passado, eu fui atendida pelo médico, que limpou meu pé, fez um curativo muito bem feito e me deu remédios. O atendimento que eu recebi no barco salvou a minha vida, porque no hospital já tinham me falado que eu teria que amputar o pé. Graças a Deus isso não aconteceu. Hoje estou ótima”.
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Janã Pinheiro/Fotos: Chico Valdiner/Gecom-MT
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