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 19/12/2025   10:18   

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Especialista alerta para avanço do ódio contra mulheres e destaca papel das redes de proteção

No Auditório Gervásio Leite, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a palestrante Alice Bianchini fala ao microfone durante apresentação sobre feminicídio. Ao fundo, o telão exibe conceitos relacionados à prevenção da violência contra a mulher.

O II Encontro das Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, promovido  pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), dedicou seu 4º painel ao tema “As Redes de Enfrentamento à Violência contra a Mulher: missão e compromisso”.  A palestra foi conduzida pela Prof.ª Dr.ª Alice Bianchini, doutora em Direito pela PUC-SP, referência nacional na pauta e conselheira de notório saber do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

Segundo a professora, o país começa apenas agora, “de forma muito lenta e já com atraso”, a consolidar redes que garantam acolhimento efetivo. Para ela, o trabalho integrado é indispensável. “A gente não pode pensar nessa mulher só no aspecto penal. Ela quer também reconstruir a sua vida, a sua própria existência. Esses serviços são prestados pelas redes e são muito importantes para que essa mulher se sinta fortalecida e possa realmente sair da esfera da violência”, alertou.

Alice destacou ainda que a insegurança quanto ao bem-estar dos filhos é um dos fatores que impulsiona o retorno de vítimas ao ciclo violento. “Por uma série de questões identificadas hoje, a principal preocupação é com os filhos. Ela acaba voltando para a cena da violência e isso faz com que seja uma vítima muito certa de feminicídio”, alertou.

Vista geral do Auditório Gervásio Leite durante palestra do II Encontro. Alice Bianchini fala ao público no palco, enquanto participantes acompanham sentados. O telão exibe conteúdo visual relacionado à violência contra a mulher.Ao comentar fatores socioeconômicos relacionados à desigualdade de gênero, a palestrante reforçou que a independência financeira e o acesso ao trabalho são pilares fundamentais. “Todas as pesquisas no mundo inteiro vão dizer que quanto mais desigualdade de gênero, mais violência de gênero. No Brasil, que detém um dos índices mais altos, nós também temos muita desigualdade”.

Ela lembrou que mulheres recebem, em média, 24% a menos do que homens realizando as mesmas funções, e convivem com barreiras adicionais devido à dupla ou tripla jornada. “Essa perspectiva da igualdade é a mais importante que a gente tem que trabalhar”, completou.

Ao comentar o avanço das redes de enfrentamento, ação consolidada pelo TJMT em Mato Grosso -  que chegará a cem redes instaladas neste final de ano -, a professor elogiou o esforço, mas ponderou sobre a necessidade de fortalecimento estrutural.

a palestrante Alice Bianchini fala ao microfone durante o II Encontro das Redes de Enfrentamento. Vestindo blazer azul, ela gesticula enquanto explica o tema ao público. Ao fundo, uma integrante das redes acompanha sentada, com o telão colorido do evento“A gente precisa das duas coisas: quantidade e qualidade”, assinalou. Para ela, essa expansão pode ser um “gatilho para diminuir a violência contra a mulher no Brasil”, desde que acompanhada de atuação nas frentes de prevenção primária, secundária e de reparação. 

“O que a gente tem observado é como está crescendo o ódio contra as mulheres. Existe a violência que leva à morte dessa mulher, mas existe também um ódio sendo perpetrado”, denunciou.

Ela explicou que parte desse fenômeno decorre da busca feminina por igualdade e autonomia. “As mulheres não querem mais do que os homens, querem igualdade. Isso cria maior empoderamento, entendido como a capacidade de gerir a própria vida. Para um setor pequeno, mas muito violento, isso causa incômodo, uma certa ojeriza, e aí vêm esses extremos de violência”.

O II Encontro das Redes de Enfrentamento reuniu profissionais que atuam diariamente na proteção de mulheres em situação de violência, reforçando a necessidade de integração, qualidade nos serviços e compromisso permanente com a vida e a dignidade feminina.

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Patrícia Neves / Foto: Josi Dias

Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br