II Encontro das Redes destaca que compreender o passado é caminho para proteger mulheres hoje
O
II Encontro das Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra
a Mulher, realizado dias 10 e 11/12, reúne pessoas que trabalham todos os dias
para proteger mulheres em situação de violência. O evento, que ocorre, nesta
quinta-feira (11), no Auditório Espaço Justiça, Cultura e Arte Desembargador
Gervásio Leite, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, tem sido um espaço de
aprendizado, acolhimento e troca de experiências entre profissionais de várias
regiões do estado e especialistas reconhecidos nacionalmente.
A
desembargadora Maria Erotides Kneip, que coordena a Coordenadoria Estadual da
Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), explicou
que esta edição foi pensada para aprofundar temas que estão na raiz das
desigualdades enfrentadas pelas mulheres. Ela reforçou que entender essa base
histórica é essencial para fortalecer as redes de proteção em Mato Grosso.
“Nesse
segundo encontro nós pensamos em discutir primeiro quais são verdadeiramente as
origens da violação de direitos humanos de mulheres. O que historicamente
justifica isso? E como a gente precisa agir para vencer esse potencial
histórico que vem determinando a continuidade da violação de direitos humanos
das mulheres”, afirmou.
Na
manhã desta quinta-feira, as atividades começaram às 9h com o painel “Origem
histórica da violência contra a mulher – Patriarcado e Estereótipos”,
apresentado pela professora e doutora Dinara de Arruda Oliveira, da
Universidade Federal de Mato Grosso e presidente da Academia Mato-grossense de
Direito. A mesa foi presidida pela desembargadora aposentada Maria Aparecida
Ribeiro e contou com a participação da juíza Luciana Sittinieri Leon.
Em
sua fala, Dinara trouxe uma reflexão profunda sobre como o machismo e o
patriarcado foram construídos ao longo da história e continuam influenciando a
vida das mulheres. “O tema dessa palestra aborda as origens do machismo e do
próprio patriarcado. E de que forma isso acaba gerando estereótipos e estes
estereótipos acabam balizando a forma como uma mulher e um homem são
contratados”, explicou.
Ela
destacou que esses estereótipos não ficam restritos ao mercado de trabalho, mas
atravessam o dia a dia dentro das casas. “A partir do momento que papéis são
estabelecidos e que a mulher é sempre tida com aquele papel de cuidado e que
ela deve cuidar da casa, do marido, dos filhos, mas não pode ser cuidada. E se
ela, ao não cuidar, deve apanhar, deve sofrer as consequências por não cumprir
seu papel, isso acaba gerando a própria violência doméstica”, disse.
Para
Dinara, enfrentar essa realidade exige olhar para suas raízes. “Entender as
origens do machismo, entender as origens do patriarcado e o que isso acaba
revelando e respaldando de certa forma a violência praticada nos dá uma visão
melhor do que precisamos fazer para acabar com isso. O que devemos fazer para
romper esse ciclo de violência?”
A
professora reforçou que a mudança começa quando a sociedade questiona papéis
rígidos e impostos há gerações. “A partir do momento que compreendemos que os
papéis, apesar de vistos assim pela sociedade, não devem mais ser dessa forma,
a gente acaba modificando todo o cenário”.
Durante a apresentação, Dinara também explicou de maneira clara os diferentes tipos de violência de gênero, física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, mostrando como todos estão conectados. Falou ainda sobre a importância da escola na identificação precoce de sinais de abuso, relembrou avanços da legislação brasileira, especialmente com a Lei Maria da Penha, e apresentou iniciativas de prevenção, como os grupos reflexivos com homens autores de violência.
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Flávia Borges / Foto: Lucas Figueiredo
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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