Sofisticação tecnológica e segurança da LexIA do Tribunal de Mato Grosso impressionam equipe do CNJ
Mais do que apresentar uma ferramenta, o Tribunal
de Justiça de Mato Grosso abriu as portas para um diálogo técnico com o Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) sobre como a inteligência artificial pode ser
aplicada com segurança, governança e foco na atividade finalística do
Judiciário. A LexIA, solução tecnológica desenvolvida internamente pelo TJMT,
foi o centro de uma das discussões durante visita técnica do CNJ, que buscou
compreender a arquitetura, os fluxos e as escolhas tecnológicas por trás do
sistema.
A agenda integra o Programa Justiça 4.0, no âmbito
do Projeto Conecta, iniciativa do CNJ voltada à identificação de soluções
inovadoras e à troca de experiências entre tribunais. Durante a apresentação, o
diretor do Departamento de Apoio ao Julgamento do TJMT, Thales Barboza Ventorim Rubiale, explicou que a LexIA funciona
como um ecossistema de inteligência artificial integrado aos sistemas do
Judiciário, desenvolvido para apoiar magistrados e servidores.
Segundo Thales, o sistema opera em ambiente seguro,
com acesso restrito à rede interna do Tribunal ou por meio de VPN (Virtual
Private Network), utilizando login único (SSO), o que possibilita o bloqueio
imediato de acessos indevidos e reforça o controle das informações. “Além
disso, há monitoramento contra tentativas de uso automatizado ou irregular”,
acrescentou.
Outro aspecto que despertou atenção da equipe técnica do CNJ foi o fato de a LexIA ser totalmente configurável, sem necessidade de alterações de código ou publicação de novas versões. “A ferramenta foi desenvolvida com tecnologias modernas e permite ajustes diretamente no sistema, de acordo com a realidade de cada instância do Judiciário, garantindo flexibilidade e adaptação às rotinas de trabalho”, explicou o diretor.
Acesse as fotos no Flickr do TJMT
Avaliação técnica e maturidade do
sistema
Colaborador do Projeto Conecta, o juiz do Tribunal
de Justiça da Paraíba (TJPB), Jeremias
de Cássio Carneiro de Melo, ressaltou a evolução rápida da ferramenta
desde o primeiro contato, ocorrido ainda na fase inicial de testes. “Eu gostei
muito da ferramenta e fiquei impressionado com o nível de evolução alcançado em
um período tão curto”, afirmou.
Para o magistrado, o amadurecimento da LexIA
reflete uma preocupação que vai além do uso pontual da tecnologia. “O avanço
ocorrido em tão pouco tempo é extremamente positivo, não apenas para o
Tribunal, mas para o Judiciário como um todo”, avaliou.
Jeremias destacou ainda duas características que considera
diferenciais da LexIA em relação a outras soluções. “A primeira é a
possibilidade de trocar o modelo de inteligência artificial no meio da
conversa, sem perda de contexto. A segunda é o fato de a ferramenta ser cada
vez mais agnóstica em relação aos modelos de linguagem”, explicou.
Segundo ele, esse nível de granularidade torna as
respostas mais assertivas e fortalece a qualidade do sistema, além de permitir
ajustes rápidos diante da constante evolução das tecnologias de IA. “Os
mecanismos de segurança e controle estão muito bem estabelecidos, o que reforça
a confiabilidade da ferramenta”, completou.
LexIA como referência técnica
Coordenador do Projeto Conecta, o desembargador
federal do TRF6 Pedro Felipe de
Oliveira Santos destacou que a LexIA se sobressai pela engenharia de
software e pelo modelo de governança de inteligência artificial adotado pelo
TJMT. “A ferramenta tem apoiado diretamente a área finalística do Tribunal e se
destaca pela sofisticação da engenharia de software construída pelo TJMT”,
afirmou.
De acordo com ele, a existência de um sistema
interno de governança bem estruturado permite monitoramento em tempo real,
mapeamento de riscos e controle de custos. “Esses fatores são decisivos quando
se pensa em uso responsável e sustentável da inteligência artificial no
Judiciário”, observou.
Para o desembargador, o TJMT se consolidou como referência ao desenvolver soluções pensadas desde a origem para o uso colaborativo e institucional. “O Tribunal de Justiça de Mato Grosso se afirma como um espaço de produção de conhecimento e inovação tecnológica no Judiciário brasileiro”, concluiu.
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Roberta Penha / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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