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 11/05/2026   16:29   

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Escuta da sociedade ajuda a desenhar futuro do Judiciário em Mato Grosso

As vozes ouvidas ao longo das oficinas “Escuta Cidadã” passarão a ganhar forma no planejamento que vai orientar os próximos passos do Poder Judiciário de Mato Grosso até 2032. Após três dias de debates, relatos e trocas de experiências, o material coletado durante os encontros será utilizado como base para a construção do novo Planejamento Estratégico do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em um movimento marcado pela diversificação de público e pela participação ativa da sociedade na elaboração das metas da instituição.

Realizadas entre os dias 06 e 08 de maio, no Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá, as oficinas reuniram representantes de diferentes segmentos sociais, instituições e especialistas para discutir temas ligados ao acesso à Justiça, inclusão, mediação de conflitos, justiça digital e o futuro do Judiciário.

O encerramento ocorreu nesta sexta-feira (08), com a oficina “Futuro do Judiciário, Inovação e Sociedade”, espaço voltado à construção coletiva de ideias e expectativas sobre os próximos caminhos da Justiça.

O coordenador de Planejamento do TJMT, Afonso Vitorino Maciel avaliou positivamente a participação popular nas oficinas e destacou a riqueza do conteúdo produzido durante os encontros. “Foi extremamente positivo. Tivemos muita participação, um grupo heterogêneo, com representantes de vários segmentos da sociedade e de minorias. Isso contribui diretamente para o diagnóstico do Poder Judiciário e para a melhoria da prestação jurisdicional”, afirmou.

Segundo ele, o próximo passo será transformar os relatos, sugestões e percepções coletadas em diretrizes estratégicas para os próximos anos. “Nós temos hoje uma coletânea muito rica de material dessas oficinas, das atividades realizadas internamente com magistrados e servidores e também das entrevistas feitas com atores do sistema de Justiça. Agora vamos trabalhar essas informações, olhando forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, para direcionar essa caminhada do Judiciário”, explicou.

Sociedade com voz ativa no planejamento

A iniciativa inédita chamou a atenção pela abertura do Tribunal para ouvir diretamente a população e incluir diferentes perspectivas na construção do planejamento institucional.

Diretor da WEGOV e facilitador das oficinas, André Tamura destacou que o trabalho de escuta cidadã representa um marco para o Judiciário brasileiro. “Durante três dias reunimos diferentes públicos para olhar, sob suas perspectivas, a prestação jurisdicional do Tribunal de Justiça. Isso vai fomentar a construção do planejamento estratégico 2027-2032. Refletimos sobre o trabalho do Tribunal e vamos entregar isso como uma proposta para os próximos anos”, disse.

Ele também ressaltou a importância da coragem institucional em abrir espaço para a participação popular. “Não há registros de outros tribunais que tenham feito esse tipo de trabalho para gerar planos estratégicos. As pessoas se engajaram, contaram suas histórias e externalizaram dores e desafios enfrentados dentro do sistema de Justiça. Temos muito material importante que vai guiar os próximos anos de trabalho”, pontuou.

Homem concede entrevista, falando a um celular usado como gravador. Expressão séria indica posicionamento. Ambiente interno neutro reforça contexto institucional.Para o promotor de Justiça Daniel Carvalho Mariano, a proposta fortalece a aproximação entre o Judiciário e a população, além de contribuir para humanizar o atendimento e tornar as decisões mais conectadas à realidade social. “Isso demonstra uma preocupação de como melhor acolher e proteger as pessoas. Muitas vezes o Judiciário quer acertar, mas não sabe exatamente como conversar ou como acolher. Esse evento demonstra na prática essa preocupação real em ouvir a população”, afirmou.

O promotor também destacou que a iniciativa ajuda a romper a imagem de distanciamento da Justiça em relação ao cidadão. “Essa aproximação muda muito o atendimento, a linguagem, a forma de acolher e até mesmo as decisões judiciais. Especialmente no interior, onde ainda existe aquela ideia do juiz como uma figura inacessível. Isso mostra para a população que o Judiciário está preocupado em compreender a realidade das pessoas”, completou.

Inovação e construção coletiva

A oficina final também reuniu representantes da academia e especialistas em tecnologia para discutir inovação e eficiência na prestação jurisdicional.

Professor do Instituto de Computação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Raul Teruel dos Santos destacou que ouvir a sociedade é essencial para identificar demandas que muitas vezes não são percebidas internamente. “É muito importante que o Tribunal consiga ouvir quem está fora e saber quais são as demandas da sociedade, que às vezes quem está dentro não consegue perceber”, afirmou.

Segundo ele, a abertura do Tribunal fortalece a relação da Justiça com a população e contribui para a construção de soluções mais eficientes. “Isso abre as portas do Tribunal para a população dizer: ‘olha, você pode contribuir para nossa melhoria’. O que a gente espera é uma Justiça cada vez mais ágil e célere. E ouvindo a população, o Tribunal consegue traçar metas para que as ações sejam mais eficientes e aconteçam de forma mais rápida”, avaliou.

As oficinas “Escuta Cidadã” integraram a construção do Planejamento Estratégico Participativo 2027-2032 do TJMT e foram promovidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio de um trabalho colaborativo entre a Coordenadoria de Planejamento (Coplan) e o Laboratório de Inovação do Tribunal (InovaJusMT).

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Roberta Penha / Foto: Alair Ribeiro

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

imprensa@tjmt.jus.br

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