Escuta da sociedade ajuda a desenhar futuro do Judiciário em Mato Grosso
As vozes ouvidas ao longo
das oficinas “Escuta Cidadã” passarão a ganhar forma no planejamento que vai
orientar os próximos passos do Poder Judiciário de Mato Grosso até 2032. Após três
dias de debates, relatos e trocas de experiências, o material coletado durante
os encontros será utilizado como base para a construção do novo Planejamento
Estratégico do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em um movimento
marcado pela diversificação de público e pela participação ativa da sociedade
na elaboração das metas da instituição.
Realizadas entre os dias 06
e 08 de maio, no Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá, as oficinas
reuniram representantes de diferentes segmentos sociais, instituições e
especialistas para discutir temas ligados ao acesso à Justiça, inclusão,
mediação de conflitos, justiça digital e o futuro do Judiciário.
O encerramento ocorreu nesta
sexta-feira (08), com a oficina “Futuro do Judiciário, Inovação e Sociedade”,
espaço voltado à construção coletiva de ideias e expectativas sobre os próximos
caminhos da Justiça.
O coordenador de
Planejamento do TJMT, Afonso Vitorino Maciel avaliou positivamente a
participação popular nas oficinas e destacou a riqueza do conteúdo produzido
durante os encontros. “Foi extremamente positivo. Tivemos muita participação,
um grupo heterogêneo, com representantes de vários segmentos da sociedade e de
minorias. Isso contribui diretamente para o diagnóstico do Poder Judiciário e
para a melhoria da prestação jurisdicional”, afirmou.
Segundo ele, o próximo passo
será transformar os relatos, sugestões e percepções coletadas em diretrizes
estratégicas para os próximos anos. “Nós temos hoje uma coletânea muito rica de
material dessas oficinas, das atividades realizadas internamente com
magistrados e servidores e também das entrevistas feitas com atores do sistema
de Justiça. Agora vamos trabalhar essas informações, olhando forças, fraquezas,
oportunidades e ameaças, para direcionar essa caminhada do Judiciário”,
explicou.
Sociedade
com voz ativa no planejamento
A iniciativa inédita chamou a
atenção pela abertura do Tribunal para ouvir diretamente a população e incluir
diferentes perspectivas na construção do planejamento institucional.
Diretor da WEGOV e
facilitador das oficinas, André Tamura destacou que o trabalho de escuta cidadã
representa um marco para o Judiciário brasileiro. “Durante três dias reunimos
diferentes públicos para olhar, sob suas perspectivas, a prestação
jurisdicional do Tribunal de Justiça. Isso vai fomentar a construção do
planejamento estratégico 2027-2032. Refletimos sobre o trabalho do Tribunal e
vamos entregar isso como uma proposta para os próximos anos”, disse.
Ele também ressaltou a
importância da coragem institucional em abrir espaço para a participação
popular. “Não há registros de outros tribunais que tenham feito esse tipo de
trabalho para gerar planos estratégicos. As pessoas se engajaram, contaram suas
histórias e externalizaram dores e desafios enfrentados dentro do sistema de
Justiça. Temos muito material importante que vai guiar os próximos anos de
trabalho”, pontuou.
Para o promotor de Justiça
Daniel Carvalho Mariano, a proposta fortalece a aproximação entre o Judiciário
e a população, além de contribuir para humanizar o atendimento e tornar as
decisões mais conectadas à realidade social. “Isso demonstra uma preocupação de
como melhor acolher e proteger as pessoas. Muitas vezes o Judiciário quer
acertar, mas não sabe exatamente como conversar ou como acolher. Esse evento
demonstra na prática essa preocupação real em ouvir a população”, afirmou.
O promotor também destacou
que a iniciativa ajuda a romper a imagem de distanciamento da Justiça em
relação ao cidadão. “Essa aproximação muda muito o atendimento, a linguagem, a
forma de acolher e até mesmo as decisões judiciais. Especialmente no interior,
onde ainda existe aquela ideia do juiz como uma figura inacessível. Isso mostra
para a população que o Judiciário está preocupado em compreender a realidade
das pessoas”, completou.
Inovação
e construção coletiva
A oficina final também
reuniu representantes da academia e especialistas em tecnologia para discutir
inovação e eficiência na prestação jurisdicional.
Professor do Instituto de
Computação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Raul Teruel dos
Santos destacou que ouvir a sociedade é essencial para identificar demandas que
muitas vezes não são percebidas internamente. “É muito importante que o
Tribunal consiga ouvir quem está fora e saber quais são as demandas da
sociedade, que às vezes quem está dentro não consegue perceber”, afirmou.
Segundo ele, a abertura do
Tribunal fortalece a relação da Justiça com a população e contribui para a
construção de soluções mais eficientes. “Isso abre as portas do Tribunal para a
população dizer: ‘olha, você pode contribuir para nossa melhoria’. O que a
gente espera é uma Justiça cada vez mais ágil e célere. E ouvindo a população,
o Tribunal consegue traçar metas para que as ações sejam mais eficientes e
aconteçam de forma mais rápida”, avaliou.
As oficinas “Escuta Cidadã” integraram a construção do Planejamento Estratégico Participativo 2027-2032 do TJMT e foram promovidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio de um trabalho colaborativo entre a Coordenadoria de Planejamento (Coplan) e o Laboratório de Inovação do Tribunal (InovaJusMT).
Leia também:
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Roberta Penha / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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