Audiência da Corregedoria debate como atingir o poder econômico do crime organizado
Por trás de homicídios, tráfico de drogas e disputas por
território existe uma engrenagem menos visível: o dinheiro. A avaliação foi
compartilhada por especialistas que participaram do painel Lei Antifacção e
Governança Corporativa: limites e deveres das pessoas jurídicas, realizado
nesta sexta-feira (12), durante audiência pública “A Lei do Combate ao Crime
Organizado no Brasil e os impactos no sistema de justiça criminal: desafios e
oportunidades”, promovida pelo Poder Judiciário, por meio da Corregedoria-Geral
da Justiça de Mato Grosso para discutir o novo marco legal de combate ao crime
organizado.
O painel reuniu o expositor, o promotor de Justiça Renee do
Ó Souza, o delegado da Polícia Civil Caio Albuquerque, titular da Delegacia de
Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e o juiz Anderson Clayton Dias Batista.
A mediação foi conduzida pelo conselheiro estadual da OAB-MT, Douglas Ibarra.
Ao longo das discussões, um ponto ganhou destaque: para
enfraquecer as organizações criminosas não basta prender integrantes. É preciso
atingir a estrutura financeira que sustenta essas atividades.
Segundo o promotor Renee do Ó Souza, uma das principais
inovações da Lei Antifacção é justamente direcionar o foco para o patrimônio,
os recursos financeiros e as empresas utilizadas para dar suporte ao crime
organizado. "A única forma de inibir o envolvimento de alguém na
criminalidade organizada é demonstrar que o crime não compensa", afirmou.
De acordo com o expositor, a legislação cria mecanismos que
permitem ao Estado alcançar bens, valores e até estruturas empresariais
utilizadas para ocultar patrimônio ou movimentar recursos ilícitos. Entre as
medidas previstas estão bloqueios patrimoniais, restrições de atividades
econômicas e a possibilidade de intervenção judicial em empresas utilizadas
para favorecer práticas criminosas.
O juiz Anderson Clayton Dias Batista observou que a nova
legislação busca reduzir a tolerância com relações empresariais que possam
beneficiar organizações criminosas.
"A nova legislação exige uma postura
mais ativa das empresas. Não basta alegar desconhecimento. As organizações
precisam verificar quem são seus parceiros comerciais e adotar mecanismos de
controle para evitar relações que possam favorecer, direta ou indiretamente, o
crime organizado".
O mediador Douglas Ibarra chamou atenção para a linguagem
corporativa presente na nova legislação. Para ele, a proposta do legislador foi
ampliar o alcance do enfrentamento ao crime organizado, permitindo que a
atuação estatal chegue também às estruturas econômicas e societárias que podem
servir de suporte para atividades criminosas.
A perspectiva das investigações foi apresentada pelo
delegado Caio Albuquerque. Com experiência na apuração de homicídios ligados a
organizações criminosas, ele afirmou que o domínio territorial exercido por
facções tem tornado a elucidação de crimes cada vez mais complexa. Segundo o
delegado, o medo imposto às comunidades faz com que testemunhas deixem de
colaborar com as investigações, dificultando a identificação de autores e a
produção de provas.
Caio Albuquerque destacou que o fortalecimento das
organizações criminosas observado nos últimos anos exige instrumentos mais
eficientes de enfrentamento e defendeu que a nova legislação oferece mecanismos
que podem contribuir para esse trabalho.
O painel integrou a audiência pública promovida pela
Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso para debater os impactos da Lei nº
15.358/2026, conhecida como marco legal de combate ao crime organizado.
A íntegra da discussão está disponível no canal do TJMT no
YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=70cR1MxQkvs
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Audiência pública reúne centenas de pessoas para discutir
lei de combate ao crime organizado
Painel de Audiência pública debate impactos do domínio
social estruturado para o sistema de justiça criminal
Alcione dos Anjos / Foto: Rodrigo Moura
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
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