Judiciário, governo e empresários debatem sobre vagas de trabalho para pessoas privadas de liberdade
Representantes
do Poder Judiciário estadual e do Trabalho, Executivo estadual, Ministério
Público do Trabalho, empresários, pessoas privadas de liberdade e sociedade em
geral se reuniram, na manhã desta quinta-feira (10), para debater sobre a
ressocialização da população carcerária por meio do trabalho, durante a sessão
pública “Empregar é ressocializar: abra portas para o futuro”, realizada na
sede do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT 23), em Cuiabá.
O
evento foi transmitido ao vivo e pode ser conferido na íntegra no canal do TRT Mato Grosso no
Youtube.
O
supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e
Socioeducativo de Mato Grosso (GMF-MT), desembargador Orlando de Almeida Perri
participou do debate, explicando que a intenção é sensibilizar a classe
empresarial sobre a importância de aderirem aos projetos de ressocialização por
meio do trabalho. “Ainda temos muito poucos empresários que absorvem mão de
obra de reeducandos. E o que nós desejamos, principalmente, é que eles conheçam
as indústrias já instaladas no sistema prisional, as vantagens, especialmente
as financeiras, que eles podem ter se montarem as suas empresas ou pelo menos
um braço delas no sistema prisional”.
Segundo
Perri, o preconceito social ainda é o maior desafio a ser enfrentado para que
os programas de ressocialização sejam efetivos. Ele ressalta ainda que, de
todas as inspeções que realiza nas unidades penais do estado, traz a percepção
de que há interesse dos recuperandos em retomar a vida por um novo caminho.
“Nas minhas inspeções, eu costumo conversar com todas as pessoas privadas de
liberdade da unidade. Se não todos, pelo menos com uma boa parte deles. E o que
a gente ouve de todos eles é que querem uma oportunidade de trabalho, uma
oportunidade para se ressocializar”, afirma.
O
presidente do TRT de Mato Grosso, desembargador Aguimar Peixoto destaca que a
Justiça trabalhista está empenhada no cumprimento das metas estabelecidas pelo
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no âmbito do Plano Pena Justa. “O CNJ quer
que, até 2028, pelo menos 70% dos reeducandos estejam trabalhando dentro dos
presídios - aqueles que têm condição de fazê-lo - e já saiam de lá com uma
capacitação, já saiam de lá ressocializados, de certa forma, com uma profissão
aprendida. E a causa desta sessão pública é fazer com que os reeducandos tenham
empregabilidade, que eles tenham capacitação”.
Para a
procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso, Thaylise
Campos Coleta de Souza Zaffani, a sessão pública traz luz sobre o tema da
ressocialização que, segundo ela, ainda é permeado de preconceito e
desconhecimento. “É a possibilidade de conhecer as vantagens e como pode
acontecer a contratação de trabalhadores do sistema prisional. O Ministério
Público do Trabalho trabalha fortemente nisso, por isso nós estamos ajudando a
organizar, trazendo uma perspectiva de que é necessário o trabalho, que seja um
trabalho digno, e a utilidade desse trabalho, não só para o trabalhador, como
para o próprio empregador e toda a sociedade”, afirma.
O
presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de
Mato Grosso (Fecomércio-MT), Sebastião dos Reis Gonçalves relata que já teve um
projeto de destinação de vagas para pessoas privadas de liberdade em sua
empresa, no passado, que começou com 15 pessoas, das quais seis se tornaram
funcionárias com carteira assinada.
“Foi
uma experiência positiva. Não é fácil, como toda relação de trabalho entre
patrão e empregado também não é fácil, mas nós precisamos entender que é uma
ação social e é uma responsabilidade de todos nós. Fazer com que o reeducando
tenha uma atividade, se integre novamente na sociedade por meio do trabalho é
muito importante. Então eu acho que cada empresário, dentro da sua atividade,
poderia entender que inserir o reeducando no mercado de trabalho seria
importante também para sua empresa”, defende.
Sebastião
dos Reis declarou sua intenção de retomar o projeto em sua empresa (o que já
existe por parte da Fecomércio com o GMF-MT) e colocou o órgão à disposição
para contribuir não só com a empregabilidade de recuperandos, mas também com
projetos de saúde e educação, por meio do Sesc e Senac.
Durante
o evento, o representante da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e
empresários que já oferecem vagas de trabalho para pessoas privadas de
liberdade e egressos do sistema prisional também compartilharam suas ideias e
experiências.
A
audiência pública foi uma oportunidade dos representantes da indústria, do
comércio e do agronegócio conhecerem as legislações que regem o trabalho da
pessoa privada de liberdade, as possibilidades de aproveitamento da força de
trabalho, os programas e incentivos do Governo estadual voltados à qualificação
e empregabilidade da população carcerária, as experiências de quem já faz parte
dessas iniciativas e seus resultados.
Foram
abordadas as vantagens de oferecer vagas de trabalho para a pessoa privada de
liberdade, como ausência de vínculo trabalhista e isenção dos respectivos
encargos, custos de transporte e alimentação pagos pelo Estado, pagamento de um
salário mínimo (que é revertido para a família), inclusive com a possibilidade
de subsídio de metade do valor pago pelo governo estadual.
Também
participaram da sessão pública o juiz coordenador do GMF-MT, Geraldo Fidelis, a
juíza coordenadora do Juizado Especial Criminal (Jecrim) de Cuiabá, Maria Rosi
de Meira Borba, e o juiz Valter Fabrício Simioni da Silva, da 1ª Vara
Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher de Cuiabá.
Veja fotos da audiência pública no Flickr do TJMT.
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Justa
Celly Silva / Foto: Rodrigo Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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