Síndrome do segredo é abordada em evento
Danos psicológicos em vítimas de violência são abordados em capacitação
Saber separar o que é carinho de abuso. Esse é o dilema que uma criança vive quando deve identificar se sofreu ou não algum tipo de abuso sexual, em separar o certo do errado e contar a um adulto o que ocorreu. O tema é um dos polêmicos assuntos abordados durante a capacitação para técnicos do Poder Judiciário de Mato Grosso, que atuarão no projeto Depoimento Sem Dano, a ser implantado em comarcas do Estado. A capacitação teve início nesta segunda-feira (10/11) e terá duração até a próxima quarta (12), na Escola dos Servidores do Poder Judiciário, em Cuiabá.
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De acordo com a assistente social Vanea Maria Visnsievski, na maioria dos casos de abuso sexual, a criança fica confusa, porque foi ao encontro do adulto em busca de carinho e compreensão e acabou encontrando outro cenário. “Ela fica com sentimento de culpa, e o fato gera ansiedade na criança, que acaba desenvolvendo o que se denomina de Síndrome do Segredo”, esclareceu. Conforme a profissional, nesse caso, é comum a criança ser ameaçada pelo agressor e por isso, acaba agindo como se nada tivesse acontecido, mesmo tendo sido vítima de violência sexual.
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A assistente social alertou que para que a criança não desenvolva essa síndrome, o ideal seria ter no ambiente familiar, pessoas em quem confiar. “Ter um bom relacionamento entre filhos e pais, ou filhos e mãe, é o que vai propiciar que, quando um abuso acontecer, a criança possa contar o que ocorreu sem medo de ser recriminada ou taxada de mentirosa”. Ainda para a especialista, é necessário que o adulto responsável por essa criança tenha um olhar cuidadoso em todos os aspectos. “É necessário saber quem são as companhias de seus filhos, os locais que eles andam e principalmente manter sempre aberto um espaço de diálogo”, pontuou.
A profissional ressaltou alguns sinais que demonstram que a criança esteja passando por algum tipo de abuso, quais são: mudança de humor; de comportamento, se a criança é muito extrovertida e depois se retrai; se acorda assustada; entre outros. “É necessário analisar todo o conjunto, pois não existem sinais que sejam exclusivos como indicadores de abuso sexual”, explicou.
Outro ponto abordado pela assistente social no curso de capacitação junto aos técnicos do Judiciário Estadual está a Síndrome da Adição, desenvolvida pelo agressor. “O abusador sabe que é errado o ato que ele pratica junto ao menor. Ele tem consciência do que faz, entretanto, aquilo pra ele é prazeroso. É como o alcoólatra, sabe que não pode beber, mas bebe”. Nas explanações, Vanea Visnsievski destacou que, nesse caso específico, a gratificação pelo ato sexual impulsiona o agressor a evitar a realidade e o conduz, pela compulsão, à repetição.
Na manhã desta terça-feira (11/11) o tema a ser abordado, a partir das 8h, será Introdução a estudos científicos do pesquisados Daniel Schater sobre alterações da memória: Os sete pecados da memória. No período da tarde, serão trabalhadas as técnicas de rappart (de relacionamento); transferência de controle; técnica de recriação do contexto do relato livre; e técnica de recuperação focal.
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