Atendimentos levam cidadania a ribeirinhos
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A grande fila demonstrou a necessidade e o interesse da comunidade pelos serviços oferecidos. Centenas de pessoas se organizaram em frente à Escola Estadual Coronel Antônio Paes de Barros, região portuária de Barão de Melgaço (113km a sul de Cuiabá) para participar do Projeto Ribeirinho Cidadão. Entre os principais serviços disponíveis o atendimento médico, a emissão de documentos pessoais e o atendimento jurídico. Um dos destaques foi a realização de casamentos. “Também é nossa função. Muitas pessoas têm o desejo de oficializarem a união”, pontuou o juiz José Antônio Bezerra, representante do Poder Judiciário de Mato Grosso no projeto. Caso do pedreiro Ednaldo e da dona de casa Rosa, que após 20 anos de união e três filhos se casaram oficialmente ontem. “O juiz foi muito simpático e agradável. Pra gente que é leigo no assunto é muito importante essa atenção”, disse o pedreiro, que pretendia dar bom exemplo para a filha mais velha, que se casará em breve.
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| "Pela gente mesmo nem precisava, mas achamos importante mostrar o correto aos nossos filhos”, destacou Rosa Priihmiiler Marculino, que adotou o sobre nome do esposo. No primeiro dia da ação outros dois casamentos foram realizados. Os caseiros Fabrício e Luciana também aproveitaram a oportunidade. “Nosso plano era casar só no ano que vem aí minha irmã veio tirar o título e me avisou que era fácil e não gastava nada“, discorreu Fabrício Dias de Moura. A enfermeira Priscila Chaulet disse que a presença da Justiça resolverá uma situação difícil que vinha passando. “Minha filha tem quatro meses e não recebia a pensão. Se eu tivesse que procurar a Justiça teria que ir até Santo Antônio de Leverger e agora está resolvido”. Por outro lado o pai da criança que compareceu após intimação judicial efetuada naquele momento se disse satisfeito, já que a sentença lavrada na oportunidade também estabeleceu horários para visitação, o que não vinha ocorrendo. Os atendimentos são realizados em duas embarcações, as mesmas que no período da tarde desta quinta-feira (2 de fevereiro) se deslocam pela região pantaneira dos três municípios beneficiados pelo projeto (Barão de Melgaço, Santo Antônio de Leverger e Poconé). | ![]() |
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Darlene da Silva Pinho de 21 anos, e Lucas Marques, de 16, aproveitaram para regularizarem o título eleitoral. “Estou ansioso para pegar o documento e poder escolher meus representantes, já que este ano teremos eleições. É uma excelente oportunidade para exercer nossa cidadania e foi bastante rápido”, pontuou o estudante. O servidor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), um dos parceiros do projeto, Roberto Vidal, explicou que a emissão do título é bastante fácil. “Basta um documento com foto, comprovante de residência e o CPF. Em muitos casos as pessoas fazem o documento por intermédio do próprio projeto e vêm aqui para retirar o título. Acreditamos que realizaremos cerca de 500 atendimentos entre títulos, transferências e revisões em geral, apenas na região de Barão de Melgaço”, informou o servidor público.
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A Politec responsável pela emissão do Registro Geral (RG) também registrou grande número de atendimentos e boa parte da população utilizou os serviços médicos e odontológicos disponibilizados. O aposentado Severino Cardoso, de 84 anos, não fazia uma revisão há muitos anos. “Eu já operei os dois olhos. Aqui em Barão não tem esse médico (oftalmologista). Escurece, amanhece e ninguém olha por nós. Graças a Deus vocês vieram aqui, tratam a gente bem e ajudam“, enfatizou. A dona Janete, de 65 anos, também veio para uma revisão e já saiu com os óculos e um colírio para o tratamento da presbiopia (desgaste do cristalino). “Tinha três anos que não consultava, já estava incomodada. Pinguei o colírio e coloquei os óculos, agora estou vendo bem, vou continuar usando o remédio pra sarar de vez”, disse a aposentada.
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O oftalmologista voluntário explicou que este tipo de doença é bastante comum. “Os óculos e os medicamentos foram doações. Essa população necessita de cuidados. Todos que estão aqui, desde os voluntários da saúde e o pessoal da Justiça praticam esta ação com muita alegria”, exaltou o médico Jesus Aparecido Dias.
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O defensor público Air Praeiro, responsável pelo projeto, destacou que o estado de carência da população ribeirinha é grande. “Esta ação é essencial para a cidadania destas pessoas. Em muitos casos eles não têm condições de se deslocarem até as cidades, isso significa gastos com hospedagem e alimentação. Esse deslocamento da Justiça significa inclusão social”, ponderou o defensor. No período da tarde o Projeto Ribeirinho Cidadão se deslocará via fluvial até as comunidades de Praia dos Bois e Volta do Poço.
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Foto: André Romeu/Agência Phocus
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