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 28/08/2015   11:02 

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Empregos verdes a recuperandos é inédito, diz OIT

Mato Grosso sai na frente em nível nacional e até mesmo em relação a países do 1º mundo investindo na capacitação de recuperandos do sistema prisional para ocupação de empregos verdes. É o que afirmou o coordenador dos programas de trabalho decente e empregos verdes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Paulo Sérgio Muçouçah. A declaração foi feita durante palestra, nesta quinta-feira (27 de agosto), no Fórum Internacional Humanismo e Ressocialização.
 
“Nessa área, a iniciativa aqui em Mato Grosso é pioneira. Estive conferindo com meus colegas de Genebra para ver se eles conheciam algum caso de iniciativa neste sentido de ressocialização através de empregos verdes e ninguém conhecia. Então é bem provável que seja uma iniciativa pioneira em nível mundial. Isso dá uma enorme visibilidade para esse programa se ele for levado adiante”, afirmou.
 
Conforme o debatedor da mesa, o promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) já realiza capacitações de recuperandos no Estado para ocupar empregos verdes. Esse trabalho possibilita a reinserção dessas pessoas na sociedade, dando a elas um meio viável de se sustentar de forma lícita, sem roubar ou traficar, por exemplo.
 
Eles são capacitados para trabalhar em diversas áreas, por exemplo, com suinocultura, pensando desde o manejo do milho até a destinação dos dejetos dos animais. “Por que não pegar o preso, colocar tornozeleira nele e colocá-lo para recuperar as APPs, nas margens do rio Cuiabá?”, questionou o promotor, dando outra sugestão.
 
Mas nem tudo nesta palestra foram notícias positivas. Ainda falta conscientização do meio empresarial, dos produtores rurais e da sociedade em geral. O palestrante fez um alerta à sociedade: se o mundo quer um planeta habitável para seus filhos e netos, tem que investir na geração de empregos verdes.
 
O senso-comum diz que ou o país cresce economicamente ou cuida da natureza, mas não é bem assim, ressalta Paulo Sérgio. O palestrante mostra com dados estatísticos comprovando que, em longo prazo, todo mundo tem a perder se não cuidar do meio ambiente. Os recursos naturais são escassos e a falta deles limita o crescimento da economia. “A gente só vai ter desenvolvimento viável se for sustentável”, explica o representante da OIT no Brasil. Conforme levantamento da Unep, Green Economy Report, a economia verde poderá gerar mais crescimento econômico. Contudo, o magistrado salienta que se continuarmos no atual ritmo de degradação, o mundo vai ter perdas de produtividade. A economia mundial terá perda de 8% do seu Produto Interno Bruto (PIB), diz a pesquisa.
 
Ainda segundo o palestrante, a economia verde pode criar muito mais empregos que a economia não sustentável. Esta é a alternativa para reverter a deteriorização ambiental, o aumento do desemprego, e o aumento das diferenças sociais e da pobreza. Estudo do Banco Mundial em 24 países mostra que serão criados entre 15 a 60 milhões de empregos adicionais até 2030.
 
Pode-se criar empregos verdes em qualquer atividade. Se o ramo de uma empresa não tem produto final como produção de biodiesel, por exemplo, ela pode mudar os processos de produção e minimizar os impactos negativos no meio ambiente. Reduzir e reciclar resíduos sólidos, reduzir a emissão de gases do efeito estufa ou reduzir o consumo de energia tradicional com uso de placas solares. Na agricultura, por exemplo, pode-se optar pelos orgânicos e realizar o controle biológico de pragas. Na construção, reaproveitamento de resíduos de construção na fabricação de concreto. Pode-se realizar o “esverdeamento” de prédios públicos, aumentando a incidência de luz natural nos imóveis, captando água da chuva, construindo hortas no terraço dos prédios, entre outros.
 
Conforme o palestrante, independente da conscientização de grandes empresários, pequenas atitudes de cidadãos comuns fazem a diferença. Você sabia que um motorista de ônibus ocupa um emprego verde? Isso porque emprego verde é todo emprego decente que reduza os impactos negativos ao meio ambiente de atividades econômicas. Ao dirigir um ônibus, o motorista está contribuindo para a redução de carros nas vias da cidade e, consequentemente, a emissão de gases do efeito estufa.
 
 
O público aprovou o debate. As psicólogas Pâmela Porto e Camila Correia, que atuam no sistema de ressocialização, destacaram grande aprendizado com a palestra. “Eu já tinha uma certa compreensão sobre o que é emprego verde por conta de já trabalhar junto com o promotor, então a gente discutiu isso algumas vezes, mas anteriormente eu achava que era só uma coisa ligada ao campo. Quando ele iniciou todo esse projeto de capacitação de recuperandos para empregos verdes que a gente começou a se dar conta do que seria um emprego verde de verdade”, frisa Pâmela.
 
O estudante de Direito Luiz Felipe dos Santos observa que o conceito de emprego verde deveria ser trabalhado nas escolas desde a educação básica. “A educação é o pilar de tudo. Os furacões que acontecem no Haiti, nós provocamos, é o revide da natureza. Não é só lá que podem ter furacões, no Brasil também pode ter futuramente se continuarmos agindo sem consciência ambiental”, acredita.
 
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Fotos: André Romeu
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