Professor mediador relata mudança após capacitação no TJMT: “Foi regenerador”
O professor
de geografia Adamilton Gendelei Garcia
viajou quase mil quilômetros, de Nova Monte Verde para Cuiabá, com o objetivo
de participar da formação em Justiça Restaurativa realizada pelo Tribunal de
Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Núcleo Gestor da Justiça
Restaurativa (Nugjur).
Entre os 125 profissionais da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) que receberam capacitação, ele descreve a experiência de forma direta e profunda.
“Eu recebi o convite para participar desse curso. Um curso muito bom,
muito de transformação. E agora eu sei que saio daqui bem melhor do que
entrei”, afirmou Adamilton.
Atuando como
mediador escolar, Adamilton convive diariamente com conflitos entre estudantes
e profissionais da escola. Para ele, a formação promovida pelo Nugjur
representa uma mudança decisiva na forma de lidar com essas situações.
“Hoje eu atuo como mediador de conflitos na escola. Grande parte dos meus
problemas está relacionada a pessoas que não conseguem gerenciar seus
conflitos. E agora eu consigo pegar essa ferramenta e instruí-los a serem pessoas
capazes de gerenciar seus próprios conflitos. Foi regenerador”, destacou.
Mudanças
dentro e fora das escolas
A formação
conduzida pelo Nugjur capacitou professores, psicólogos e gestores da rede
estadual para utilizar práticas restaurativas como instrumento de mediação,
diálogo e reconstrução de vínculos.
A
desembargadora Clarice Claudino da
Silva, presidente do Núcleo, destaca que os resultados alcançam toda a
comunidade escolar.
“As perspectivas de maior efetividade são enormes. Levar os círculos de
construção de paz para a educação não é só olhar para os alunos, mas para todos
que atuam nessa área. É oferecer suporte para um diálogo mais qualificado,
capaz de transformar ambientes”, expressou a magistrada.
Ela pontuou também que as práticas restaurativas oferecem caminhos para reduzir violências, prevenir conflitos e criar uma convivência mais saudável.
Educar
para transformar
A capacitação
realizada pelo TJMT envolveu três dias intensos de teoria e prática sobre
círculos de construção de paz, mediação de conflitos e comunicação não
violenta. Os profissionais formados passam a integrar a expansão da cultura de
paz nas escolas, multiplicando o conhecimento recebido.
A formação
antecedeu o Seminário “Justiça Restaurativa na Educação e na Ambiência
Institucional”, que reuniu magistrados, servidores do Judiciário, professores e
gestores, reforçando o compromisso institucional com ambientes mais seguros e
humanos.
A experiência
vivida por Adamilton resume o objetivo maior da Justiça Restaurativa no contexto
educacional: oferecer ferramentas para que professores deixem de ser apenas
solucionadores de conflitos e passem a ser construtores de pontes.
“Hoje eu posso orientar meus alunos a gerenciar seus próprios conflitos.
Isso muda tudo. Eu volto diferente para minha escola.”
A formação, segundo ele, não apenas ensina técnicas, pois também transforma pessoas.
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