Audiência pública: Juizado Especial Criminal, inovação e futuro dos Juizados são debatidos
“O Juizado Especial
Criminal como instrumento eficaz de solução de conflitos nas relações sociais”
e “A inovação e o futuro dos Juizados Especiais” foram temas de painéis na
audiência pública Juizados Especiais: 30 anos de acesso à Justiça
cidadã. O evento encerrou, nesta sexta-feira (06 de junho), a II Semana
Nacional dos Juizados Especiais.
A audiência, que
promove reflexões sobre os avanços, desafios e perspectivas dos Juizados
Especiais no Brasil, contou com palestra do desembargador Mário Roberto Kono de
Oliveira, que falou sobre sua experiência de 20 anos à frente do Juizado
Especial Criminal Unificado de Cuiabá (Jecrim).
O desembargador
destacou que, no Juizado Especial Criminal, os delitos de maior incidência são:
ameaça; crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação); lesão corporal
simples; lesão corporal culposa; desacato e resistência; porte e posse de
drogas para uso; maus-tratos; extorsão; e danos.
“Costumo dizer que, no
Juizado Especial Criminal, não encontramos bandidos, mas sim a sociedade. São
conflitos entre vizinhos, briga entre filhos, fofocas, conflitos entre casais,
entre credores e devedores, por interesses políticos, como presidência de bairro.
Por isso, é importante deixar a condenação como última medida”, afirmou.
Em sua fala, ele
destacou algumas das técnicas que utiliza para a descoberta dos verdadeiros
problemas. Sugeriu aos magistrados que sempre procurem responder às perguntas:
o que levou alguém a ofender o outro? Qual o real interesse? Quando se iniciou
o conflito? Que tipos de traumas ficaram?
“Para identificar as
respostas, analise o termo circunstanciado, boletins de ocorrência, depoimentos
das partes e testemunhas, verificando o grau de parentesco ou afinidade, idade,
motivos emocionais e financeiros. Ouça atentamente as partes, se necessário
separadamente, e jamais se limite ao fato em julgamento”, pontuou.
Kono disse ainda que,
uma vez utilizadas as técnicas de identificação dos verdadeiros problemas e
feita a análise do perfil das partes, é possível partir para uma proposta justa
de conciliação ou transação.
Em seguida, o juiz do
Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), Ângelo Bianco Vettorazzi, falou sobre
inovação e futuro dos Juizados Especiais. Ele pontuou que a inovação ganhou
força nos últimos cinco anos, por conta da pandemia, mas que já vinha ocorrendo
ao longo das três décadas dos Juizados.
“Por exemplo, a Lei do
Processo Judicial Eletrônico é de 2006, uma inovação disruptiva que aconteceu
lá atrás, e foi por meio dela que o Poder Judiciário pôde, durante a pandemia,
atender a todas as pessoas, mesmo sem a presença física. Se não fosse essa
preparação e a transformação digital já vivida pelo Judiciário, seguramente
teríamos paralisado nossos serviços — e o caos teria sido grande”, pontuou.
Por conta desses
avanços, o Poder Judiciário passou a contar com uma série de novidades que se
consolidaram, como o balcão digital, o juízo 100% digital, as audiências
on-line, entre outros.
“Apesar de o
Judiciário ainda se encontrar materializado, tendo seus fóruns, hoje as pessoas
já não precisam se deslocar para ter acesso aos nossos serviços. Quem aqui já
não participou de uma audiência virtual? Com isso em mente, o próximo passo é
melhorar cada vez mais esses mecanismos”, disse.
O magistrado ressaltou
que, para que a inovação ocorra, é preciso entender que ela parte das pessoas
que inovam para as pessoas que querem utilizá-la. Todo esse processo é
instrumento para que a inovação se cumpra. “O que nunca podemos perder de vista
é que a inovação sempre será destinada às pessoas. Do contrário, se esquecermos
delas, daremos muito menos valor a quem de fato precisa da inovação e para quem
ela deve ser dedicada”, argumentou.
Ângelo citou ainda a
grande inovação dos Núcleos 4.0, que trouxeram um acesso digital à Justiça.
“Para torná-los mais eficientes, precisamos trabalhar com a ideia de que é uma
Justiça em nuvem — não tem lugar fixo, presencial, mas há pessoas e há
processos de trabalho. Já que podemos ter cooperação entre os tribunais, por
que os Núcleos 4.0 não podem estar além das nossas fronteiras? Será que não
podemos ver juízes de Mato Grosso auxiliando magistrados do Ceará? Essas
barreiras precisam ser repensadas, pois ainda estamos atrelados a uma ideia que
talvez não seja mais necessária”, indagou.
Semana — A II Semana Nacional dos Juizados Especiais é uma iniciativa alinhada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o intuito de dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelos Juizados em todo o país, além de promover o debate sobre a melhoria contínua dos serviços prestados à população. Em Mato Grosso, o evento é fruto da atuação conjunta da Presidência do Tribunal de Justiça, do Conselho de Supervisão, da Escola da Magistratura (Esmagis), da Escola dos Servidores, do Núcleo de Sustentabilidade e da Corregedoria-Geral da Justiça, por meio do Daje.
Confira algumas notícias publicadas sobre o evento:
Desembargador relembra trajetória dos Juizados Especiais e destaca avanços e desafios
Encerramento da Semana dos Juizados Especiais destaca avanços e amplia debate sobre acesso à Justiça
Presidente José Zuquim destaca papel social e avanço dos Juizados Especiais em Mato Grosso
Plantio coletivo marca ação do Verde Novo no Complexo dos Juizados de Cuiabá
Juizados Especiais: Competição ReciclaJud arrecada 9 toneladas de materiais recicláveis
Semana Nacional: Juizados Especiais refletem sobre sustentabilidade no Dia Mundial do Meio Ambiente
Larissa Klein / Foto: Josi Dias
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
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