Equidade racial no PJMT: o papel de cada um na construção de uma Justiça mais justa
O Poder Judiciário de Mato Grosso vem fortalecendo o
compromisso com os direitos humanos e com o enfrentamento ao racismo
estrutural. Por meio do Comitê de Promoção da Equidade Racial, o PJMT se alinha
às diretrizes do Protocolo para
Julgamento com Perspectiva Racial, elaborado pelo Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), que propõe uma atuação mais consciente, empática e atenta às
desigualdades históricas que ainda persistem no país.
À frente do comitê, o desembargador Juvenal Pereira da
Silva, primeiro a presidir essa iniciativa no Estado, compartilha a importância
desse trabalho. “Tenho uma grata satisfação de estar presidindo o Comitê até
porque traz uma nova visualização com relação à igualdade racial. O mais
importante são as ações. É isso que surte o efeito para essa mudança de
cultura, dessa visão que se tem hoje”.
Mas o que isso
significa, na prática? Significa reconhecer que o racismo não se resume a
ofensas explícitas ou atitudes isoladas. Ele se manifesta de forma sutil e
cotidiana, inclusive em ambientes institucionais, e pode influenciar decisões,
critérios e interpretações mesmo quando não há intenção de discriminar.
📍
Raça: uma construção social que impacta vidas reais
Apesar de a ciência já ter comprovado que não existem raças
humanas do ponto de vista biológico, a ideia de “raça” continua sendo usada
socialmente para marcar diferenças e hierarquias. O Protocolo para Julgamento
com Perspectiva Racial destaca a importância de que juízes e servidores
compreendam como decisões jurídicas podem, mesmo sem intenção, perpetuar essas
desigualdades.
“A importância de o magistrado fazer parte desse
conhecimento é ter a conscientização, sem discriminação às pessoas que são julgadas.
Recentemente, lancei na IA um processo para julgamento e, no levantamento que
fiz, a maioria dos condenados detectados, em proporção, são de pessoas negras.
Então, já traz esse estigma. É o racismo algorítmico. E, cabe a nós, fazermos
essas mudanças”, revelou.
📍
Etnia: identidade, cultura e pertencimento
Enquanto a “raça” se refere a marcadores físicos que geraram
estruturas de poder, etnia diz respeito aos traços culturais, como língua,
religião, ancestralidade e tradições. Uma mesma “raça” pode conter diversas
etnias. No Brasil, fala-se em identidade étnico-racial justamente para englobar
tanto marcas fenotípicas quanto o patrimônio cultural de grupos historicamente
marginalizados.
📍
Preto, pardo ou negro? Entendendo os termos do debate
Nos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), as pessoas podem se autodeclarar como brancas, pardas, pretas, amarelas
ou indígenas. No entanto, por força da luta dos movimentos negros e da pesquisa
acadêmica, as categorias “pretos” e “pardos” são agrupadas sob o termo
“negros”, pois refletem uma mesma realidade de desigualdade e discriminação.
Esse entendimento é importante para orientar políticas públicas e ações
afirmativas.
📍
Identidade étnico-racial: mais do que aparência, um sentimento de pertencimento
A identidade étnico-racial vai além da cor da pele. Trata-se
de um processo construído socialmente, em que a pessoa se reconhece — e é
reconhecida — como pertencente a um grupo. Esse pertencimento é influenciado
pela vivência cotidiana, pela forma como o outro enxerga e trata essa pessoa, e
pelas experiências acumuladas de exclusão ou valorização.
📍
Heteroidentificação: quando a autodeclaração encontra limites
Em contextos como concursos públicos e políticas de cotas, a
heteroidentificação aparece como um mecanismo complementar à autodeclaração
racial. Isso porque a vivência do racismo está relacionada à forma como a
sociedade enxerga a pessoa, e não apenas como ela se enxerga. Comissões de
heteroidentificação avaliam se o fenótipo da pessoa corresponde ao grupo racial
ao qual ela diz pertencer, a fim de evitar fraudes e garantir justiça nas ações
afirmativas.
⚖️
Por que isso importa para o Judiciário?
De acordo com o Protocolo do CNJ, magistrados(as) e todos(as)
operadores(as) do Direito devem refletir sobre como os atos e decisões podem,
ainda que sem intenção, reforçar desigualdades raciais. A equidade racial só se
constrói com consciência e mudança de postura. Isso passa por escuta
qualificada, empatia, reconhecimento das diferentes realidades e aplicação
justa das leis, considerando os efeitos históricos da discriminação.
📣
Participe dessa construção! - O Comitê de Promoção da Equidade Racial do PJMT
promove formações, diálogos e ações de sensibilização para enfrentar o racismo
e valorizar a diversidade no Judiciário. Criado pela Portaria nº 493 de 2025, o
grupo segue diretrizes do CNJ e do Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade
Racial, propondo políticas afirmativas e práticas antirracistas. Composto por
magistrados(as) e servidores(as), é presidido pelo desembargador Juvenal
Pereira da Silva e coordenado pela juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira,
tendo como missão tornar a Justiça mais inclusiva e comprometida com os
direitos humanos.
📌
Quer saber mais? Entre em contato!
Comitê de Promoção da Equidade Racial do Poder Judiciário
de Mato Grosso
E-mail: comite.equidaderacial@tjmt.jus.br
Telefone: (65) 3617-3024
📄 Acesse a composição
completa e os normativos que embasam a atuação do Comitê:
📄 Normativos do Comitê de Promoção da Equidade Racial do PJMT. Disponíveis aqui.
🔗 Leia aqui o protocolo completo no site do CNJ
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Talita Ormond
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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