Lições que não estão nos livros: a importância da experiência compartilhada na preceptoria judicial
A formação necessária para
ingressar na magistratura exige anos de estudo e preparação. No entanto, muitos
dos desafios enfrentados pelos juízes no exercício da jurisdição não estão nos
manuais, na doutrina ou na jurisprudência. São aprendizados construídos ao
longo da carreira e compartilhados por meio da convivência com magistrados mais
experientes. É justamente nesse contexto que a preceptoria judicial se
consolida como uma importante ferramenta de formação e desenvolvimento
profissional.
"Poder contribuir com esse
processo de formação é uma experiência muito gratificante”, destaca o
desembargador Rui Ramos ao falar sobre a experiência de contribuir com a
formação de novos juízes ao partilhar parte da experiência adquirida na vida funcional.
Ele registra ainda que a atuação do preceptor também envolve a transmissão de valores fundamentais ao exercício da magistratura e ao fortalecimento institucional do Poder Judiciário. “Além do aperfeiçoamento técnico, buscamos transmitir valores essenciais à magistratura, como equilíbrio, prudência, ética e compromisso com a sociedade. O diálogo permanente permite que os novos juízes reflitam sobre temas que vão além da aplicação do direito, fortalecendo sua atuação institucional e preparando-os para enfrentar, com serenidade e independência, as diferentes realidades que encontrarão ao longo da carreira.”
Mais do que compartilhar
conhecimento técnico, a preceptoria proporciona um espaço de troca de
experiências relacionadas à rotina da magistratura, permitindo que os novos
juízes tenham acesso a orientações construídas ao longo de décadas de atuação
jurisdicional.
Para o juiz substituto Danilo
Marques Ribeiro Alves, a convivência com o desembargador Rui Ramos Ribeiro tem
contribuído diretamente para seu desenvolvimento profissional. “Ter o
desembargador Rui como preceptor tem contribuído sobremaneira para meu desenvolvimento
profissional. Para além das reuniões periódicas, em que recebemos dicas e
experiências práticas já vivenciadas pelo desembargador, no grupo mantemos
contato frequente e recebemos informativos de jurisprudência atualizados.
Mensalmente enviamos sentenças para serem corrigidas e depois recebemos
feedbacks, fato que também favorece nosso crescimento
profissional.”
Segundo o magistrado, o acompanhamento contínuo, aliado à análise das decisões produzidas e aos feedbacks recebidos, fortalece a construção de uma atuação cada vez mais segura e qualificada.
Conhecimentos que vão além da
técnica
A experiência compartilhada pelos
preceptores também alcança aspectos que extrapolam a atividade processual,
envolvendo postura institucional, relacionamento com a sociedade e conduta
profissional.
Para o juiz substituto Leandro
Bozzola Guitarrara, um dos pontos mais marcantes da preceptoria tem sido
justamente o acesso às vivências acumuladas pelo desembargador ao longo da
carreira. “A preceptoria é importantíssima para os passos iniciais na
magistratura. O que mais me marcou foi o relato de trajetória pública do
desembargador e a partilha de experiência profissional de atuação reta e
persistentemente constante. As dicas sobre reserva e mídia também reputo
relevantes.”
Ele também destaca que os ensinamentos compartilhados permitem compreender dimensões da função jurisdicional que dificilmente seriam absorvidas apenas durante a formação acadêmica, contribuindo para uma atuação mais prudente e equilibrada diante das responsabilidades do cargo.
Formação permanente
A proposta da preceptoria
judicial é justamente aproximar gerações da magistratura, criando um ambiente
de aprendizado contínuo que une conhecimento técnico, experiência prática e
reflexão sobre os desafios da jurisdição.
Por meio desse acompanhamento, os
juízes em estágio probatório têm a oportunidade de aperfeiçoar sua atuação,
esclarecer dúvidas e desenvolver habilidades essenciais para o exercício da
magistratura, beneficiando-se da experiência de quem já enfrentou situações
semelhantes ao longo da carreira.
Instituída nacionalmente pela Resolução nº 654/2025 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a figura do magistrado preceptor integra o modelo de formação e vitaliciamento da magistratura.
Leia também:
Desembargadora Gabriela Knaul reforça importância da preceptoria na formação integral do magistrado
Aprendizado contínuo: preceptoria fortalece formação dos novos magistrados na prática
Mais do que orientação: a preceptoria como instrumento de acolhimento na magistratura
Nos bastidores da magistratura: o apoio da preceptoria durante o estágio probatório
Da formação à jurisdição: como a mentoria auxilia os novos juízes nos primeiros passos da carreira
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT
imprensa@tjmt.jus.br
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