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 29/10/2026   17:31   

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Lições que não estão nos livros: a importância da experiência compartilhada na preceptoria judicial

A formação necessária para ingressar na magistratura exige anos de estudo e preparação. No entanto, muitos dos desafios enfrentados pelos juízes no exercício da jurisdição não estão nos manuais, na doutrina ou na jurisprudência. São aprendizados construídos ao longo da carreira e compartilhados por meio da convivência com magistrados mais experientes. É justamente nesse contexto que a preceptoria judicial se consolida como uma importante ferramenta de formação e desenvolvimento profissional. 

Em Mato Grosso, o programa é conduzido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e pela Corregedoria-Geral da Justiça, promovendo o acompanhamento de magistrados em estágio probatório por desembargadores preceptores. Dentre eles, está o desembargador Rui Ramos Ribeiro, responsável pela orientação dos juízes substitutos Antonio Bertalia Neto, da Vara Especializada da Infância e Juventude da Comarca de Rondonópolis; Danilo Marques Ribeiro Alves, da Vara Única da Comarca de Novo São Joaquim; e Leandro Bozzola Guitarrara, da Vara Única da Comarca de Alto Garças. 

Para o desembargador Rui Ramos Ribeiro, a preceptoria representa uma oportunidade de compartilhar conhecimentos construídos ao longo da trajetória profissional, contribuindo para a formação das novas gerações de magistrados. "Ao longo da carreira, acumulamos experiências, acertos e também lições extraídas das dificuldades enfrentadas no exercício da jurisdição. A preceptoria é uma oportunidade de compartilhar esse patrimônio com os magistrados que estão iniciando sua trajetória. Muitas vezes, as respostas para os desafios da magistratura não estão apenas nos livros, mas na vivência diária, na postura diante das pessoas e na forma de conduzir situações complexas."

"Poder contribuir com esse processo de formação é uma experiência muito gratificante”, destaca o desembargador Rui Ramos ao falar sobre a experiência de contribuir com a formação de novos juízes ao partilhar parte da experiência adquirida na vida funcional.

Ele registra ainda que a atuação do preceptor também envolve a transmissão de valores fundamentais ao exercício da magistratura e ao fortalecimento institucional do Poder Judiciário. “Além do aperfeiçoamento técnico, buscamos transmitir valores essenciais à magistratura, como equilíbrio, prudência, ética e compromisso com a sociedade. O diálogo permanente permite que os novos juízes reflitam sobre temas que vão além da aplicação do direito, fortalecendo sua atuação institucional e preparando-os para enfrentar, com serenidade e independência, as diferentes realidades que encontrarão ao longo da carreira.”

Aprender com quem já percorreu o caminho 

Mais do que compartilhar conhecimento técnico, a preceptoria proporciona um espaço de troca de experiências relacionadas à rotina da magistratura, permitindo que os novos juízes tenham acesso a orientações construídas ao longo de décadas de atuação jurisdicional.  

Para o juiz substituto Danilo Marques Ribeiro Alves, a convivência com o desembargador Rui Ramos Ribeiro tem contribuído diretamente para seu desenvolvimento profissional. “Ter o desembargador Rui como preceptor tem contribuído sobremaneira para meu desenvolvimento profissional. Para além das reuniões periódicas, em que recebemos dicas e experiências práticas já vivenciadas pelo desembargador, no grupo mantemos contato frequente e recebemos informativos de jurisprudência atualizados. Mensalmente enviamos sentenças para serem corrigidas e depois recebemos feedbacks, fato que também favorece nosso crescimento profissional.”  

Segundo o magistrado, o acompanhamento contínuo, aliado à análise das decisões produzidas e aos feedbacks recebidos, fortalece a construção de uma atuação cada vez mais segura e qualificada. 

Conhecimentos que vão além da técnica 

A experiência compartilhada pelos preceptores também alcança aspectos que extrapolam a atividade processual, envolvendo postura institucional, relacionamento com a sociedade e conduta profissional.  

Para o juiz substituto Leandro Bozzola Guitarrara, um dos pontos mais marcantes da preceptoria tem sido justamente o acesso às vivências acumuladas pelo desembargador ao longo da carreira. “A preceptoria é importantíssima para os passos iniciais na magistratura. O que mais me marcou foi o relato de trajetória pública do desembargador e a partilha de experiência profissional de atuação reta e persistentemente constante. As dicas sobre reserva e mídia também reputo relevantes.”  

Ele também destaca que os ensinamentos compartilhados permitem compreender dimensões da função jurisdicional que dificilmente seriam absorvidas apenas durante a formação acadêmica, contribuindo para uma atuação mais prudente e equilibrada diante das responsabilidades do cargo. 

Formação permanente 

A proposta da preceptoria judicial é justamente aproximar gerações da magistratura, criando um ambiente de aprendizado contínuo que une conhecimento técnico, experiência prática e reflexão sobre os desafios da jurisdição.  

Por meio desse acompanhamento, os juízes em estágio probatório têm a oportunidade de aperfeiçoar sua atuação, esclarecer dúvidas e desenvolver habilidades essenciais para o exercício da magistratura, beneficiando-se da experiência de quem já enfrentou situações semelhantes ao longo da carreira.  

Instituída nacionalmente pela Resolução nº 654/2025 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a figura do magistrado preceptor integra o modelo de formação e vitaliciamento da magistratura.  

Leia também:

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Aprendizado contínuo: preceptoria fortalece formação dos novos magistrados na prática

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Nos bastidores da magistratura: o apoio da preceptoria durante o estágio probatório

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Lígia Saito

Assessoria de Comunicação da Esmagis - MT

imprensa@tjmt.jus.br

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