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 03/03/2016   15:53 

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Ribeirinho Cidadão atende aldeia indígena

A pobreza, a falta de higiene e a ausência de controle de natalidade da aldeia indígena Gomes Carneiro saltou aos olhos da equipe do Projeto Ribeirinho Cidadão. O local, que fica a cerca de 280km do munícipio de Santo Antônio de Leverger, abriga 300 índios da etnia Bororo e foi escolhido para ser atendido durante a fase terrestre do projeto assistencial do Tribunal de Justiça, Defensoria Pública e parceiros.
 
De acordo com o cacique da tribo, Bruno Tavie, a dificuldade de locomoção até as cidades maiores impossibilita que os índios recebam serviços de assistência básica. “É muito importante a vinda do projeto até aqui, porque muitos índios não têm condições de ir até a cidade. O que o pessoal está mais ansioso pra conseguir é fazer os documentos e passar pelo exame de vista”, explica.
 
Luiz Kubiri Bakoro Pijwu é um dos índios que aguardava ansiosamente a chegada do Ribeirinho Cidadão à aldeia para fazer um exame de vista. Após um derrame, ele ficou impossibilitado de andar e hoje utiliza dois cabos de vassoura como muletas para se apoiar. A equipe do projeto foi alertada sobre o caso e foi até a casa dele para levá-lo até a escola aonde estavam sendo realizados os atendimentos. “Eu nunca fiz um exame de vista antes e ando enxergando muito mal. Costumava pescar, mas agora nem isso consigo mais. Tô muito feliz que vocês vieram aqui. O dr. me deu um óculos pra ver de perto e falou que tô com início de catarata”, conta.
 
Outra questão que choca quem vai até a aldeia é o total descontrole da natalidade e a falta de higiene com as crianças. “É impactante ver as crianças se embolando pelo chão em meio aos cachorros. Em razão disso, vemos muitos casos de sarna, verme, piolho e doenças de pele. O alto número de crianças também chama a atenção. É comum ver meninas de 13 anos e 14 anos grávidas. Estamos sempre levando camisinhas e anticoncepcionais para eles, mas é uma questão muito mais cultural do que de acesso”, explica Délia Benedita Ribeiro, representante da Secretaria Municipal Saúde de Santo Antônio de Leverger.
 
Sentada em um canto, Jennifer de Melo, de 13 anos, aguardava a sua vez para ser atendida pela pediatra do projeto. Mas, dessa vez o atendimento não era para ela, mas para Sofia, sua filha que acabara de completar um mês de vida. “Tive eclampsia e cheguei a ficar em coma depois do parto. Tive muito medo, mas hoje está tudo bem com nós duas. Queria que a médica desse uma olhada nela, porque de vez em quando a barriguinha dela ronca e não sei o que é”, afirma.
 
A pediatra voluntária do projeto, Ângela Mar Gomes Alvarez, consultou a pequena Sofia e viu que estava tudo bem. “A criança está saudável, as bochechinhas estão coradas e o peso está dentro do normal. Indiquei apenas banho de sol no início da manhã ou no final da tarde para estimular a vitamina D e passei um remedinho pra cólica. Quanto as demais crianças, o que mais tenho receitado é vermífugo por conta das condições de higiene”, diz.
 
Participante do Ribeirinho Cidadão desde a primeira edição, o cartorário do município de Santo Antônio, Felix Gerônimo Alvarez Paulino, conta que a situação da tribo só vem se agravando. “A primeira vez que estive na aldeia, em 2005, as índias nem podiam usar métodos anticonceptivos. A Funai não permitia a distribuição para não influenciar na cultura deles. Mas, de lá pra cá, a população praticamente dobrou e o número de crianças também. É comum ver mães com mais de 10 filhos. Muitas crianças passam fome. E embora a distribuição de camisinhas e anticoncepcionais já seja feita, a cultura deles em relação à natalidade permanece a mesma”, diz.
 
Além do atendimento médico e oftalmológico, o projeto Ribeirinho Cidadão ofereceu à comunidade indígena serviços como emissão de RG e CPF, cadastramento no Bolsa Família, consulta ao INSS, serviços cartorários, distribuição de kits de higiene bucal, vacinação, entre outros.
 
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Mariana Vianna
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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