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 04/03/2016   10:34 

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Ribeirinho faz atendimento em comunidade isolada

A apenas 96km de Cuiabá, a comunidade do Corrego D’Ouro frequentemente se vê isolada em razão do seu difícil acesso. Quando chove intensamente, as mais de 700 famílias que lá vivem ficam impossibilitadas de passar pela esburacada estrada de terra que separa o distrito da rodovia. Criada há 30 anos, a comunidade é responsável pela produção e abastecimento de hortaliças de toda a Baixada Cuiabana. E por esse motivo o Ribeirinho Cidadão iniciou a segunda etapa do projeto (parte terrestre) no local, que também abrange as comunidades de Mata-Mata e Bigorna.
 
Francisco Ferreira de Almeida, o França, vive na comunidade há cinco anos e é presidente da Associação de Pequenos Produtores do Vale São Vicente. Ele conta que a dificuldade dos pequenos produtores em se locomover é muito grande e que falta apoio por parte do poder público. “Quando precisam de um atendimento de saúde, o povo vai até Campo Verde, que fica a 55km daqui. Quem tem carro próprio ainda se vira, quem não tem depende de carona até o asfalto para depois pegar outra condução. Para se ter uma ideia, desde que cheguei é a primeira vez que vejo um dentista por aqui. O atendimento de saúde na nossa região é muito precário e por isso estávamos precisando muito desse apoio. Gostaria que o Ribeirinho Cidadão retornasse sempre à comunidade”, afirma.
 
Carlos Lucas de Magalhaes, de 81 anos, e Maria Ferreira Magalhaes, de 66 anos, são casados. Eles estavam em Cuiabá à procura de tratamento oftalmológico, quando souberam da vinda do projeto e voltaram imediatamente. “Ele tinha glaucoma e acabou tendo que tirar o olho esquerdo na cirurgia. Do olho direito, ele só enxerga uns vultos e nem consegue contar os dedos das mãos. É muito difícil ir ao médico, porque ele está praticamente cego e não temos dinheiro. Dependemos da ajuda de pessoas de coração bom feito vocês. Graças a Deus vocês vieram! Todos são muito atenciosos com a gente que não sabe nem conversar direito”, afirmou Maria.
 
Já Carlos Lucas conta que se tivesse a visão, estaria trabalhando até hoje. “Quando a gente perde a visão já velho, é muito ruim, porque a gente não consegue mais trabalhar e nem sabe conversar sobre as coisas novas da vida. Acabo conversando só com a minha velha mesmo. Ela é os meus pés e minhas mãos. Fico feliz de saber que tem gente se preocupando com a gente”, diz.
 
O optometrista do projeto, Paulo Sassaki, fez o exame de vista de Carlos e Maria. Carlos ganhou um óculos de sol para ficar mais confortável na penumbra e Maria recebeu um óculos novinho para driblar a presbiopia, mais conhecida como vista cansada.
 
O Ribeirinho Cidadão teve início no município de Santo Antônio de Leverger, mas em razão da falta de apoio dos gestores municipais ficou sete anos sem passar pelas comunidades do entorno da cidade. O retorno se deu somente este ano, com o reestabelecimento da parceira com a prefeitura.
 
Para Valdir Pereira de Castro Filho, prefeito em exercício de Santo Antônio de Leverger há 4 meses, o lançamento do projeto na cidade de Santo Antônio foi muito positivo. “Estamos procurando levantar a autoestima do nosso povo e retornar com esse projeto para Santo Antônio nada mais é que colocar nosso município em destaque. É fazer com que o poder público esteja presente, valorizando o cidadão. O fato de serem instituições de grande credibilidade também nos estimulou a realizar essa parceria. É uma satisfação enorme ver a nossa comunidade sendo atendida por médicos, oftalmologista e emitindo documentos. Como Santo Antônio é um município que tem mais de 12 mil km2, esse projeto com a sua amplitude chega a locais mais distante em que às vezes a prefeitura não consegue atender rotineiramente. Fico muito feliz em estar aqui hoje”, diz.
 
A prefeitura de Santo Antônio de Leverger auxiliou o projeto cedendo medicamentos, vacinas, médicos, dentistas, assistentes sociais, cadastramento do bolsa família, secretários de governo, anotando as demandas locais, iniciando as ações de restauração da estrada que dá acesso ao Corrego D'Ouro, trazendo pneus para o trator que presta serviço para os pequenos agricultores da região, entre outros.
 
Quem também foi beneficiado pelo Ribeirinho Cidadão e pelos remédios oferecidos pela Secretaria Municipal de Saúde foi Augusto Ribeiro da Silva, de 69 anos. Morador da comunidade de Mata-Mata, ele chegou pedindo por um remédio que só é dado sobre prescrição médica para amenizar os sintomas de uma labirintite. Embora o medicamento seja atípico, a equipe médica, junto com o juiz e coordenador do projeto no âmbito do Judiciário, José Antonio Bezerra Filho, se lembrou de ter visto uma última unidade e, literalmente, desmontou todo o veículo para encontrá-la. Com sorte, seu Augusto recebeu o medicamento e um óculos de sol das mãos do juiz e saiu feliz da vida.
 
A etapa terrestre do Projeto Ribeirinho Cidadão foi realizada entre os dias 23 a 29 de fevereiro e visitou comunidades na região de Santo Antônio de Leverger e Juscimeira.
 
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Mariana Vianna 
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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