Catadora de recicláveis destaca desafios da reciclagem e elogia apoio do TJMT
A catadora de recicláveis e educadora ambiental
Maria Aparecida do Nascimento, conhecida como Cidinha Nascimento, compartilhou suas impressões sobre a palestra
“Desafios e soluções na gestão de resíduos sólidos”, ministrada pelo advogado
Fabrício Soler no 10º Encontro de Sustentabilidade e 2º Seminário de Mudanças
Climáticas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Durante o evento, Cidinha fez um depoimento
emocionado sobre a realidade dos catadores no estado. “Aquela realidade que
você mostrou dos urubus é igual a de todos os lixões. Fechar o lixão sem fazer
a inclusão socioprodutiva do catador não adianta, porque nós vivemos desse
material”, afirmou, lembrando que o lixão de Várzea Grande foi fechado há três
anos e o de Cuiabá há dois, afetando centenas de famílias que dependiam
diretamente dessa atividade.
Presidente da Associação de Catadores de Material Reciclável e Reutilizável Mato Grosso
Sustentável (ASMATS), Cidinha relatou as dificuldades enfrentadas pelos
trabalhadores após o fechamento dos lixões, como o alto custo para manter um
barracão e instalar equipamentos de trabalho. “Pagamos R$ 10 mil de aluguel
para vender papelão a R$ 0,30 o quilo. Precisamos de R$ 8 mil para instalar uma
prensa que acabou de chegar e não temos de onde tirar”, contou.
Ela também criticou o funcionamento da logística
reversa no Brasil, destacando que, embora prevista na Lei de Resíduos Sólidos
(Lei 12.305/2010), na prática os catadores ficam fora do processo. “Vendemos
material por R$ 900 e a nota fiscal para receber pela logística reversa custava
R$ 2.400. Nós trabalhamos e quem recebe são os empresários. A lei é boa, mas
não é praticada”, explicou.
Apesar dos desafios, Cidinha elogiou a iniciativa
do TJMT em apoiar a categoria. Desde 2018, a associação participa de editais e
programas do Tribunal, que destinam materiais recicláveis para cooperativas e
associações. Segundo ela, essa parceria foi fundamental para fortalecer o trabalho
dos catadores. “O TJ nos abraçou, reconheceu nossa existência mesmo sem licença
de operação e nos deu oportunidade. A primeira leva de papel reciclado recebida
do TJ, 14 toneladas, ajudou a cercar nosso terreno. Desde então, a parceria só
cresceu, inclusive com ações sociais como bazares e festas para as crianças da
associação”, destacou.
Hoje, os fóruns e unidades do Tribunal contam com
núcleos de resíduos e centrais de armazenamento, o que facilita a coleta.
“Quando chegamos, o material já está separado e pesado. Isso faz diferença para
várias famílias que dependem desse trabalho. Convido os servidores a trazerem
também os recicláveis de suas casas para as centrais do TJ. É uma forma de
agregar renda para quem vive da reciclagem”, pediu.
Para ela, palestras como a de Fabrício Soler contribuem para sensibilizar gestores e sociedade sobre a importância dos catadores. “Ele falou tudo. A logística reversa é essencial, mas ainda não chega para nós. Quem recicla de verdade é o catador. Precisamos ser reconhecidos”, concluiu.
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Roberta Penha / Foto: Josi Dias
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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