TJMT promove arborização e educação ambiental na Expedição Araguaia-Xingu
Durante
a 7ª Expedição Araguaia-Xingu, realizada pelo Poder Judiciário de Mato Grosso
em comunidades rurais de difícil acesso, o Programa Verde Novo vem
chamando atenção ao distribuir mudas de árvores nativas para moradores que,
além de resolver pendências de documentação e acessar serviços públicos,
aproveitam a oportunidade para levar para casa espécies como ipê, aroeira e
jacarandá. A ação, executada pelo Juizado Volante Ambiental (Juvam), por meio
do Programa Verde Novo, tem como objetivo estimular a arborização e recuperar
áreas degradadas em regiões marcadas pelo desmatamento e pela ausência de
viveiros locais.
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Nesta etapa, para os distritos de Jacaré Valente e Veranópolis, em Confresa, e Espigão do Leste, em São Félix do Araguaia, foram distribuídas cerca de 1.200 mudas, entre ipês, aroeiras, jacarandás, mangabeiras e espécies frutíferas e não-frutíferas mato-grossenses.
"A gente tem que plantar" - O
agricultor Pedro Peres Rodrigues, 59 anos, foi um dos primeiros a se aproximar
do ponto de distribuição. Veio buscar serviços de documentação, mas saiu
sorrindo enquanto segurava uma muda de aroeira. “Eu vim arrumar a identidade e
o título. E aproveitei para pegar uma plantinha. Eu gosto de plantar. Onde eu
moro, já plantei mangaba, gabiroba, pequi do Xingu… A gente tem que plantar,
né?”, contou, enquanto explicava com orgulho que já tem mais de uma dezena de
espécies crescendo no sítio onde vive.
Após anos tentando regularizar documentos em cidades vizinhas, sem sucesso pela falta de equipamentos e horários limitados, ele celebra poder resolver tudo e ainda incentivar o reflorestamento. “É bom demais. A gente precisa disso. Aqui já foi muito desmatado e as mudas ajudam a gente a recuperar.”
Arborização que transforma território
- Responsável pela distribuição das mudas durante a expedição, o
sargento Marcos Espolaor, do Juvam, explica que o interesse da população supera
as expectativas. “Trouxemos 1.200 mudas para as três cidades. A procura é tão
grande que limitamos duas mudas por pessoa para conseguir atender todo mundo.
As espécies são nativas e ajudam a recuperar áreas que já sofreram muito
desmatamento”.
Segundo ele, o Verde Novo atua justamente onde produzir mudas é mais difícil. “Muitas comunidades não têm viveiros. Aqui, as pessoas querem plantar, querem sombra, querem frutas. A muda representa dignidade e cuidado com a terra”.
Entre
as histórias de quem passa pela tenda do Verde Novo, há também quem procure a
árvore perfeita para completar um cenário. O produtor rural Benedito Rafael de
Deus, 58 anos, foi direto ao ponto: queria um ipê-roxo e um jacarandá. “Na
porta de casa já tem um ipê-amarelo. Tá florido. Agora falta o roxo. Vai ficar
mais bonito”.
Rafael
veio ao mutirão em busca de documentos e exames e revelou que a expedição
facilita o acesso a serviços que normalmente não chegam à zona rural. “Para
resolver alguma coisa, depende de Porto Alegre do Norte. E lá não tem
atendimento todo dia. Aqui, o pessoal vem de longe, mas sabe que vai ser
atendido”.
Rebojando – Além da
distribuição de mudas, ações de educação ambiental também integram a Expedição
com o projeto Rebojando, que utiliza jogos e atividades lúdicas para
sensibilizar crianças sobre sustentabilidade. Enquanto adultos resolvem
pendências como emissão de documentos, atendimentos judiciais e orientações
sociais, famílias voltam para casa levando novas árvores para plantar e
crianças aprendem sobre meio ambiente de forma leve e participativa.
Tudo
comandado pelo palhaço Lelé Picolé Curimpampam, interpretado pelo sargento da
Polícia Militar Marcelo Luciano Pereira Campos. “As crianças se divertem e
aprendem. É muito bom, né? Se eu viesse resolver as coisas e não tivesse algo
para elas, seria difícil”, conta Maria Aparecida da Silva dos Santos, 48 anos,
moradora de Jacaré Valente, que aproveitou para fazer atendimento biométrico
enquanto os filhos participavam das atividades educativas.
Vitória Souza da Cruz, 7 anos, participou de toda a dinâmica. “Brinquei com o palhaço, fiz pintura e aprendi sobre as cobras”, contou sorrindo, enquanto mostrava o presente recebido.
Já
Lis Eduarda, de apenas 5 anos, que também participou da atividade, esbanjava
felicidade. “Ganhei uma bolsa e um livro. Gostei muito! Foi diferente”.
Programação - A segunda
etapa da 7ª Expedição Araguaia-Xingu percorreu três comunidades da região
nordeste de Mato Grosso com atendimentos concentrados em escolas públicas. Após
deixar Cuiabá no dia 3 de novembro, as equipes estiveram na Agrovila Jacaré
Valente (Confresa) nos dias 5 e 6, seguiram para o Distrito de Espigão do Leste
(São Félix do Araguaia) em 8 e 9 de novembro, e finalizaram os atendimentos no
Distrito de Veranópolis (Confresa) nos dias 11 e 12 de novembro.
Rede de parceiros – A 7ª
Expedição Araguaia-Xingu é uma ação liderada pelo Poder Judiciário de Mato
Grosso, por meio da Justiça Comunitária, e reúne o trabalho integrado do Centro
Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), do Núcleo Gestor da
Justiça Restaurativa (NugJur), da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja)
e do Juizado Volante Ambiental (Juvam).
A
força-tarefa só é possível graças à cooperação de diversas instituições
públicas, entre elas a Defensoria Pública, Tribunal Regional Eleitoral
(TRE-MT), Ministério Público do Estado, Politec, Justiça Federal, Secretaria de
Segurança Pública (Sesp), Polícia Judiciária Civil (PJC), Companhia de Polícia
Ambiental, Corpo de Bombeiros Militar, além das Secretarias Estaduais de Meio
Ambiente (Sema), Saúde (SES), Educação (Seduc) e Cultura, Esporte e Lazer
(Secel).
Também integram a iniciativa a Receita Federal, Caixa Econômica Federal, INSS, Assembleia Legislativa, Exército Brasileiro e as prefeituras dos municípios atendidos. A ação conta ainda com o apoio logístico de empresas parceiras, como Aprosoja, Energisa, Paiaguás Incorporadora e Grupo Bom Futuro.
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Talita Ormond / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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