Poder Judiciário evita suspensão de benefícios na Expedição Araguaia-Xingu
Aos
70 anos, Maria Aparecida Nunes deixou de caminhar há dois anos, após uma queda
dentro de casa que comprometeu sua coluna. Desde então, cada deslocamento é um
desafio. Da cadeira de rodas, ela conta que, para emitir a identidade ou o CPF,
precisou tentar mais de uma vez na cidade, sem êxito. “A gente vai lá, aí a
moça fala ‘volta amanhã’, chega no outro dia a máquina não tá funcionando mais…
Aí a gente perde a viagem. Fica difícil pra quem usa cadeira de rodas”, relata.
Mas durante a 7ª Expedição Araguaia-Xingu, no Distrito de Veranópolis, em Confresa, ela resolveu tudo no mesmo dia: identidade, CPF, consulta de vista e atualização de dados. “Hoje foi tudo resolvido. Por mim, já tá muito bom. Agora é só me recuperar”, disse.
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Já
Silvana da Conceição Diniz, 49 anos, chegou determinada. Cega e cadeirante por
complicações da diabetes, mora em um assentamento a mais de 50 km do distrito e
só consegue se deslocar quando alguém oferece carona. Neste mês, teve o
benefício cortado e estava com perícia marcada apenas para dezembro, em Cuiabá.
A distância, o custo e o transporte tornavam o processo quase impossível.
Ao
saber da Expedição, veio a esperança. “A fome não espera. Eu vim procurar a
perícia, porque iam cortar meu benefício. Se não fosse a expedição, eu não
teria como resolver”, conta. Ela realizou a perícia no mesmo dia e saiu com um
encaminhamento para aposentadoria por incapacidade. “Quando a gente tem Deus na
vida, a gente tem tudo. Hoje eu tô indo embora satisfeita. Resolvi tudo. Graças
ao Judiciário”, resumiu.
D
imaria
Gomes da Silva Santos, 57 anos, também estava vivendo uma situação angustiante,
uma vez que havia pago R$ 155 por uma nova identidade e, depois de um ano de
espera, o documento nunca chegou. Sem ele, estava prestes a perder o benefício
de aposentadoria. Na Expedição, em meio período, a segunda via do RG ficou
pronta. “Foi uma bênção hoje. Se eu perdesse meu benefício, eu não teria como
sobreviver. Hoje marcou minha vida. Nunca vou esquecer”, declarou, emocionada.
Para
o juiz coordenador da Expedição Araguaia-Xingu, José Antônio Bezerra Filho,
cada atendimento é um ato de cidadania e respeito à dignidade humana. “O que é
simples para nós pode ser muito para eles. Aqui, a Justiça não espera a demanda
chegar; ela vai ao encontro das pessoas”. Ele reforçou que o trabalho da
expedição, além de jurídico, é humano. “É um resgate de cidadania,
credibilidade, esperança. É mostrar uma Justiça presente e eficiente, que muda
vidas”, finalizou.
Os
atendimentos no Distrito de Veranópolis, em Confresa, realizados pela 7ª
Expedição Araguaia-Xingu na Escola Municipal Vereador Valdemiro Nunes de
Araújo, seguem nesta quarta-feira (12 de novembro), das 8h às 11h30 e das 13h
às 17h.
Rede
de parceiros – A 7ª Expedição Araguaia-Xingu é conduzida pelo Poder Judiciário
de Mato Grosso, por meio do programa Justiça Comunitária, e conta com a atuação
integrada de diferentes frentes internas do Judiciário: Centro Judiciário de
Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), Núcleo Gestor da Justiça
Restaurativa (NugJur), Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e Juizado
Volante Ambiental (Juvam).
A
iniciativa só se torna possível graças a uma sólida articulação
interinstitucional. Somam-se ao esforço: Defensoria Pública, Tribunal Regional
Eleitoral (TRE-MT), Ministério Público do Estado, Politec, Justiça Federal,
Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Polícia Judiciária Civil
(PJC), Companhia de Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros Militar e as
Secretarias de Meio Ambiente (Sema), Saúde (SES), Educação (Seduc) e Cultura,
Esporte e Lazer (Secel).
Também participam da expedição Receita Federal, Caixa Econômica Federal, INSS, Assembleia Legislativa, Exército Brasileiro e as prefeituras dos municípios atendidos. Além dos órgãos públicos, a ação recebe apoio logístico de empresas parceiras como Aprosoja, Energisa, Paiaguás Incorporadora e Grupo Bom Futuro.
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Talita Ormond / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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