Aprimoramento do suporte pedagógico e valorização de potencialidades marcam debate sobre inclusão
A inclusão escolar ultrapassa a dimensão técnica e demanda a construção de
um ambiente pautado pela empatia, pela escuta e pela compreensão das
diferenças. A reflexão é do professor Agnaldo Fernandes, um dos mais de mil
participantes do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com
Deficiência”, realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Com 24 anos de atuação na rede pública de ensino em Cuiabá e Várzea Grande,
o educador destacou que o processo inclusivo se consolida, sobretudo, na
convivência e no envolvimento de toda a comunidade escolar. “Existe também um
trabalho importante com os demais estudantes, para que compreendam as diferenças
e participem, respeitem e entendam. Exige preparo, sensibilidade e tempo”,
afirmou.
A vivência em sala de aula, como professor de Artes, também revela o
potencial expressivo dos estudantes atípicos quando encontram estímulos
adequados. Segundo o professor Agnaldo Fernandes, há um envolvimento natural
dos educadores em buscar estratégias mais direcionadas, especialmente em áreas
como as artes, onde muitos alunos demonstram habilidades significativas. “A
gente se apega muitas vezes, quer trabalhar de uma forma mais específica, mais
enfática, pra que ele consiga se desenvolver, principalmente na minha área, que
tem crianças que conseguem ter um potencial incrível na área de artes. Alguns
autistas, por exemplo, conseguem trabalhar pintura, o faz de conta, uma série
de elementos da arte que são interessantíssimos”, relatou.
No entanto, o tempo limitado e a dinâmica da rotina escolar acabam impondo
barreiras à continuidade desse trabalho mais aprofundado. “Só que você tem
muito pouco tempo pra trabalhar, aí você tem a próxima turma e a próxima turma
e a próxima turma”, acrescentou, ao destacar a dificuldade de conciliar a
atenção individualizada com a demanda de múltiplas turmas ao longo do dia.
Ainda assim, o compromisso dos professores se mantém como um dos pilares da
inclusão. O educador enfatiza que há um esforço contínuo para oferecer o melhor
atendimento possível, mesmo diante das limitações estruturais. “A gente se
esforça muito, tenta fazer o máximo, mas a gente gostaria que tivesse mais um
apoio, um espaço específico pra aqueles que precisam, porque são seres humanos
que necessitam de um acompanhamento maior”, afirmou.
Para ele, a ampliação desse suporte pode representar um avanço significativo
não apenas no processo de aprendizagem, mas também na construção de
perspectivas futuras para esses estudantes. “Esse apoio mais estruturado
permitiria que eles se desenvolvessem melhor e pudessem, futuramente, estar no
mercado de trabalho de uma forma muito mais efetiva”, concluiu.
Promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o evento foi
realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, reunindo mais de 2,1 mil
participantes, entre coordenadores escolares, professores e cuidadores de
alunos com deficiência. A iniciativa, conduzida pela vice-presidente do TJMT e
presidente da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, desembargadora Nilza Maria
Pôssas de Carvalho, reafirma o compromisso institucional do Judiciário
mato-grossense com a promoção de direitos e com o fortalecimento de práticas
inclusivas alinhadas às demandas sociais.
TJMT Inclusivo
O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade, e dá cumprimento à Resolução nº 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência no âmbito do Judiciário. A iniciativa também está em consonância com a Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
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Patrícia Neves / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
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